Curitiba - O consumo de energia elétrica no Brasil cresceu 6,1% em março na comparação anual, para 38.575 gigawatts-hora (GWh), influenciado principalmente pela demanda das classes comercial (10,6%) e residencial (8%), enquanto o consumo industrial mantém ritmo moderado (2,1%). Segundo o levantamento divulgado ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), esta alta registrada na baixa tensão é a maior desde dezembro de 2009.
O crescimento na classe comercial foi forte em todas as regiões do País e chegou a mostrar uma alta de 20% na região Norte. Na região Sudeste, o maior centro de consumo do Brasil, a classe comercial teve alta de 9%. ''Houve influência do ''efeito calendário'' e das condições climáticas, mas o impulso do consumo reflete também ritmo intenso da atividade setorial'', informou a EPE, ao se referir ao fato de o Carnaval de 2011 ter caído em março, o que reduziu os dias úteis naquele período.
Já a aceleração do consumo residencial - que foi de 6,8% tanto no Sudeste quanto no Nordeste, de 14,5% no Sul, 8,5% no Centro-Oeste e de 5,3% no Norte - é explicada por temperaturas médias acima daquelas verificadas no mesmo período do ano passado, com exceção do Norte. Temperaturas mais altas incentivam o uso de equipamentos elétricos de refrigeração, como ar condicionado, por exemplo.
Já a indústria consumiu 15.510 GWh em março, sendo que o maior crescimento do consumo nessa classe foi nas regiões Centro-Oeste e Norte. No Centro-Oeste houve aumento de 15,8% em março diante da incorporação de novas cargas ligadas à expansão da produção de ferro-níquel na região.
Já no Norte, o crescimento de 8,4% no consumo industrial é explicado em parte, pelo aumento de 19,8% no Amazonas, diante de um número maior de dias de faturamento com um ajuste no cronograma da distribuidora de energia.
No primeiro trimestre de 2012, o consumo total de energia do País cresceu 3,9% na comparação anual, para 111,8 mil GWh.
No Paraná
A EPE não tem resultados de dados por Estados, apenas por regiões. O último balanço da Companhia Paranaense de Energia (Copel) é referente ao ano de 2011. Os resultados do primeiro trimestre de 2012 serão divulgados em 9 de maio.
No ano de 2011, o consumo de energia teve crescimento de 5,4% no Paraná contra a média nacional de 3,6%. O consumo do Estado no setor industrial foi de 5,3%, no residencial de 5% e no comercial de 6,8%. O diretor de Finanças da Copel, Ricardo Portugal Alves, destacou que o desempenho do Paraná é superior ao crescimento do setor de energia no Sul do País e no Brasil como um todo.
Segundo ele, a perspectiva é de manutenção da tendência de expansão do mercado baseada no otimismo em relação a economia do Paraná nos próximos anos. Outro fator que pode influenciar no consumo de energia é uma recuperação, ainda que lenta, da economia global capaz de garantir a continuidade do ciclo de alta das commodities agropecuárias. Como a economia paranaense é baseada no agronegócio pode ser beneficiada, o que também elevaria, por consequência, o consumo de energia.
De acordo com informações da Copel, o setor que mais teve aumento no consumo de energia em 2011 foi o comercial, por vários motivos. Houve, por exemplo, aumento no número de estabelecimentos comerciais de grande porte como shoppings e hipermercados. Estes locais consomem muita energia com climatização e iluminação. Além disso, ocorreu elevação do consumo de energia em estabelecimentos comerciais que ampliaram espaço ou que atendem os clientes em horários estendidos.
Ainda segundo o levantamento da EPE, na Região Sul houve aumento de 9,4% no consumo de energia em março, com destaque para o setor comercial (15,6%). No primeiro trimestre, o Sul teve aumento no consumo de energia de 5,5% e o setor comercial ficou no topo da lista com elevação de 9,6%. (Com Agências)

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