Consumo de energia bate recorde
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segunda-feira, 05 de abril de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O consumo de energia, um dos principais indicadores do ritmo da economia como um todo, atingiu recorde em março, totalizando 32.893 GWh, segundo dados preliminares do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Isso corresponde a um consumo diário de 45.059 MW médios, o que representa aumento de 7,23% em relação a março do ano passado e de 7,86% sobre fevereiro. Os dados do mês passado superam também o total consumido em março de 2001, pouco antes do início do racionamento, quando várias empresas aceleraram a produção temendo a falta do insumo nos meses seguintes. Naquele mês, quando a economia vivia momentos de forte aceleração no crescimento, o consumo total de energia atingiu 32.931 GWh, ou o equivalente a uma média diária de 44.262 MW.
Os técnicos do setor estimam que o consumo cresce a um ritmo muito superior ao do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, apesar da queda de 0,2% do PIB, o consumo nacional cresceu 3,7%. Na semana passada, particularmente, o consumo foi bastante superior à média dos últimos meses, o que sugere um maior ritmo do crescimento da economia. Na sexta-feira, o Sistema Integrado Nacional (SIN) atingiu o pico de 56.910 MW, o maior valor já registrado no País. O consumo médio somou quase 47.000 MW médios (46.957). No segundo semestre do ano passado, o consumo ficou em torno de 42.000 MW médios.
Pelos dados do ONS, o consumo no primeiro trimestre atingiu 94.875 GWh, com aumento de 2,32% sobre igual período do ano passado. Em relação aos primeiros três meses de 2002, a taxa de crescimento atingiu 15,37%. Naquele período, o consumo médio atingiu o menor nível dos últimos anos: média diária de 38.042 MWh. Esse baixo nível ainda reflete os efeitos do racionamento, que perdurou entre junho de 2001 a fevereiro de 2002.
O forte aumento do consumo traz um dado novo para as empresas que estão em processo para se transformar em ''consumidores livres'', deixando de ser ''cativos'' das distribuidoras das suas regiões. Como há sobra de energia, é crescente o movimento nesse sentido, favorecido pelos preços mais baixos permitidos pelas fortes chuvas do início do ano. Dos quatro submercados, só a região Sul está abaixo do nível chamado ''confortável'', na avaliação do ONS.
No Mercado Atacadista de Energia (MAE), por exemplo, o MWh está sendo comercializado por R$ 18,95, bem abaixo dos R$ 60 a R$ 70 cobrados pelas geradoras dos grandes consumidores. O diretor da empresa especializada no setor Comerc, Marcelo Parodi, estima que o mercado livre já movimenta cerca de R$ 200 milhões por mês, ou quase 10% do consumo nacional. Segundo ele, já existem 156 empresas que se declararam ''consumidores livres'' e deixaram de ser cativos das grandes distribuidoras.


