O consumo de energia elétrica apresentou crescimento de 6,6% no ano passado sobre 1999, conforme relatório divulgado ontem pela Companhia Paranaense de Energia (Copel). Os números mostram que foram consumidos 1 milhão de megawatts/hora a mais, diferença que permitiria abastecer uma cidade do porte de Londrina.
Os setores que mais consumiram energia foram a indústria e o comércio. As indústrias paranaenses gastaram quase 10% mais energia sobre o ano anterior. O desempenho positivo está atrelado ao aquecimento da economia nacional que depois da recessão de 99 começou a dar sinais de recuperação. Da mesma forma, o comércio sentiu os reflexos do novo período da economia. A variação foi de 7,5%.
Indústria e comércio, juntos, absorvem 56% da energia elétrica comercializada pela Copel. Somente as 44,2 mil indústrias instaladas no Estado respondem por 41% do consumo energético. ‘‘Começamos a reverter a situação do Estado que era exportador de energia e agora passa a ter consumo próprio’’, afirma o secretário do Planejamento, Miguel Salomão.
Ele cita que ao consumir mais e exportar menos energia o Estado passa a recolher Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Pela lei tributária, o recolhimento do imposto é feito no pólo consumidor e não na fonte geradora, ao contrário do que ocorre com os demais produtos e serviços. Essa diferença prejudica o Paraná e beneficia estados fortemente industrializados como São Paulo.
Entre os setores industriais que tiveram melhor desempenho, ou seja, consumiram mais energia, estão o de material de transporte, construção, metalurgia, têxtil e material elétrico. Mas a sustentação do crescimento da demanda ocorreu, principalmente, nas 260 empresas que formam o setor de papel, papelão e celulose. De toda a energia consumida pelas indústrias no Estado, esse segmento fica 25%. Entre 99 e o ano passado, a indústria de papel e celulose consumiu 10% a mais, o que representa o gasto com eletricidade de uma cidade como Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo o Departamento de Acompanhamento de Mercado da Copel, apenas a indústria do fumo, refino de petróleo e destilação de álcool fecharam o ano passado com queda, sendo este último com variação negativa de 15,5%. No setor de cigarros, a queda de 31,3% ocorreu devido ao fechamento das atividades da Phillip Morris, em Curitiba. (C.M.)

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