Consumo de energia aponta reaquecimento
Dados do governo mostram que demanda deve crescer 4% este ano, mesmo com a previsão de queda de 1% no PIB
Agência Estado
De São Paulo
Arquivo FolhaSEM DESABASTECIMENTOO ministro Rodolfo Tourinho: preocupação em manter oferta equilibradaMesmo com a queda na atividade econômica brasileira depois da crise cambial de janeiro, o consumo de energia elétrica no País vem apresentando crescimento mensal constante. A previsão do Ministério de Minas e Energia é de que a demanda por energia no País fique 4% mais alta este ano, quando no mesmo período as estimativas apontam para uma queda de 1% no Produto Interno Bruto (PIB).
Conforme o levantamento feito no início de agosto pela Eletrobrás sobre o mercado de energia, as previsões para este ano apontam para um crescimento do mercado de 3,2%. Estes números serão reavaliados em setembro por técnicos da estatal e do Ministério de Minas e Energia.
‘‘No último semestre o consumo de energia tende a crescer’’, explicou o secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Benedito Carraro. ‘‘Estes dados mostram que a economia está em recuperação’’, afirmou o ministro Rodolpho Tourinho. A preocupação do ministro é manter a oferta de energia equilibrada em relação ao crescimento da demanda.
Segundo Carraro, é necessário incorporar anualmente cerca de 4 mil megawatts de energia à capacidade de geração do País. Este incremento será garantido, segundo o secretário, com a compra de energia da Argentina, a entrada em funcionamento da usina nuclear de Angra 2 e a entrada em funcionamento de usinas hidrelétricas como Porto Primavera. A partir de 2001 o ministério prevê o início da entrada em funcionamento do ‘‘pacote de térmicas’’, quando se estima que mais 15 usinas térmicas a gás deverão gerar 8.576 megawatts.
A taxa de crescimento do consumo de energia nos últimos anos é maior do que o incremento da atividade econômica. Em 1997 a demanda cresceu 6,5% e no ano passado 4,3%. O governo estima que nos próximos 10 anos o crescimento médio do consumo será em média de 4,7% ao ano.
Para o ano 2000, o aumento estava estimado em 3,9%. Os números do ministério mostram que o consumo industrial de eletricidade, que responde por 42% da demanda total, vem apresentando uma progressiva recuperação, mesmo acumulando um decréscimo de 1,3% no ano. Em junho, as indústrias usaram mais energia do que nos meses anteriores do ano, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
Foram os segmentos comercial (15% do total) e residencial (28% do total) que tiveram o maior aumento de demanda este ano. Ao longo do ano, as residências gastaram 3,8% mais de energia e o comércio 5,6% a mais. Entre junho e maio, o incremento da demanda de energia foi de 4,4%. Entre maio e abril o consumo foi 0,2% maior e entre abril e março foi incrementado em 3,7%.
A principal meta do programa energética brasileiro é equilibrar a oferta e a demanda até 2003, quando o mercado de energia no País estará totalmente liberado. Pelo modelo de reestruturação do setor elétrico nacional, em quatro anos a compra e venda de energia entre geradoras e distribuidoras não terá restrições e valerá a lei da oferta e da procura.
‘‘Se o sistema estiver desequilibrado, a energia comercializada no País ficará mais cara’’, disse Carraro. ‘‘Para que o consumidor final não fique prejudicado isto não poderá acontecer.’’ Segundo ele, as perspectivas para o setor estão sob controle.
O governo trabalha para manter uma reserva de segurança de pelo menos 1,5 mil megawatts de energia, que poderá ser usada em casos excepcionais. A capacidade de geração do País é de cerca de 63 mil megawatts. Este número ainda não é considerado ideal. A meta é ter uma reserva de 3 mil megawatts de energia, o que corresponde a 5% da capacidade de geração do País.

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