Rio O consumo de combustíveis cresceu 6% no terceiro trimestre de 2003, em comparação com o trimestre anterior, revertendo uma tendência de queda que se iniciou no final do ano passado. A alta no consumo foi uma das responsáveis pelo bom desempenho da Petrobras no trimestre, quando a estatal registrou lucro líquido de R$ 5,3 bilhões. No acumulado do ano, porém, as vendas de combustíveis continuam em queda, de 4%.
O crescimento nas vendas de combustíveis reflete a melhora no quadro econômico e a redução da adulteração e do número de liminares contra a cobrança de impostos no setor, na opinião de especialistas. ''A utilização de solvente ou maior adição de álcool à gasolina do que o permitido acaba substituindo combustíveis 'limpos' e rouba mercado do revendedor idôneo'', avalia o presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis), Gil Siuffo.
''Não temos mais nenhuma liminar valendo, estamos combatendo fortemente a adulteração, tradicionalmente as vendas aumentam no final de ano e estamos em época de retomada do crescimento econômico. É um conjunto de fatores que deve estimular um pouco mais o consumo neste resto de ano'', concorda o diretor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz.
O aumento do consumo, porém, pode reverter uma tendência positiva verificada nos últimos resultados da Petrobras: a redução de importações e aumento das exportações. De janeiro a setembro de 2003, a Petrobras teve superávit em sua balança comercial de petróleo e derivados, exportando, em média 4 mil barris por dia a mais do que importou.
O bom desempenho já havia sido notado no segundo trimestre e pode ser mantido, na opinião do diretor financeiro da companhia, José Sérgio Gabrielli. A retomada do crescimento econômico, porém, vai demandar um consumo maior de combustíveis e pode reverter este quadro.
Ao comentar o lucro recorde da estatal, Gabrielli disse que o resultado seria menor, no trimestre, caso o Conselho de Administração da empresa não decidisse antecipar a distribuição de R$ 3,29 bilhões aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio. A medida, explicou, garantiu uma economia de R$ 1,119 bilhão em imposto de renda.
Segundo o executivo, o excelente desempenho nos primeiros nove meses de 2003, onde apresentou um lucro recorde de R$ 14,7 bilhões, reflete o crescimento da produção e o alto preço do petróleo no mercado internacional que subiu 17,5% e do dólar no Brasil, que teve uma cotação média 17,2% mais alta este ano. A moeda norte-americana, apesar de ter impacto negativo nas finanças da empresa, baliza os preços de venda de seus produtos.

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