São Paulo - A indústria de materiais básicos de construção já se prepara para um novo ciclo de expansão do consumo no mercado brasileiro. Na verdade, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deve impulsionar a partir de agora a demanda que já se ampliou no ano passado. A indústria de aços longos (vergalhões e perfis) e a de cimento registraram crescimento de venda interna de 11,1% e 8,5%, respectivamente, em 2006. O tamanho do impulso que poderá ser dado pelo PAC ainda não pode ser totalmente mensurado, segundo José Otávio Carvalho, secretário-executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), mas o setor não descarta a possibilidade de ser surpreendido com crescimento superior ao de 5% estimado para este ano. O consumo em 2006 alcançou 40,4 milhões de toneladas, retorno aos níveis consumidos em 1999.
  ‘‘Recuperamos as vendas recordes que alcançamos entre 1999 e 2000’’, afirma. Desde então, a venda de cimento caiu, assim como o ânimo de construir. O volume que poderá ser vendido em 2007 pode ser recorde. Venda de cimento talvez seja o melhor indicador da atividade de construção no País. O produto está presente desde a pequena reforma de uma habitação até a construção de uma barragem de hidrelétrica. O indicador de venda do ano passado (aumento de 8,5%) foi, portanto, um sinal de retomada.
  Mas, por ora, nem o PAC nem as medidas anteriores que estimularam a construção habitacional devem estimular o setor a um novo ciclo de grandes investimentos. As 58 fábricas dos dez fabricantes do produto no Brasil têm capacidade somada hoje para produção de 62 milhões de toneladas por ano. Pelo atual nível de consumo, o setor ainda tem uma ociosidade de um terço da capacidade. ‘‘Não há crescimento capaz de nos surpreender. Capacidade é o que não falta no setor’’, afirma.
  Apesar disso, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) tem um projeto para a construção de uma fábrica de cimento. Tudo isso para aproveitar a matéria-prima gerada com a produção de aço. Para isso, deverá investir US$ 250 milhões.

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