Consumo de cerveja cai 30% no inverno
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terça-feira, 02 de agosto de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Embora já tenha se tornado uma preferência nacional, a cerveja não chega a ser uma unanimidade no inverno. Nesta época do ano, as vendas da bebida chegam a cair até 50%. É um movimento de mercado sazonal e tradicional, mas que segue os hábitos culturais dos brasileiros que, geralmente, pedem uma bebida mais quente e de teor alcoólico maior nos dias frios. De qualquer forma, no início de julho, os apreciadores da cerveja tiveram uma má notícia: o preço subiu cerca de 5%.
A justificativa para esse aumento é que subiram os preços das matérias-primas empregadas na fabricação da bebida, como o malte e o lúpulo e as latas de alumínio, que armazenam o líquido. ''A baixa do dólar frente ao real que ocorreu neste ano não afetou os preços porque os contratos para fornecimento de matéria-prima são fechados com até um ano de antecedência, quando o dólar estava mais alto'', explica Paulo Macedo, diretor de Assuntos Corporativos da Cervejaria Kaiser.
Atualmente, cada brasileiro toma 47 litros da bebida por ano. É o 9º maior consumo do mundo. No entanto, em volume comercializado, o Brasil ocupa a 5 posição. ''O consumo de cerveja em dias frios é uma questão apenas cultural porque em países com inverno mais rigoroso - como a Alemanha e a República Tcheca - o consumo é perene'', avalia Macedo.
Segundo o diretor da Kaiser, o consumo de cerveja está estável no Brasil há quatro anos, apenas acompanhou o crescimento vegetativo da população. No entanto, em 94 o consumo per capita era de 39 litros. Isso demonstra que em 11 anos, houve um aumento no consumo de oito litros por pessoa. A fábrica da Kaiser, instalada em Ponta Grossa, atende o mercado paranaense, de Santa Catarina e do interior de São Paulo.
Reflexos - A tendência de queda nas vendas pelas indústrias é seguida pelo varejo. No supermercado Condor, por exemplo, a comercialização da bebida chega a ser 40% menor do que nos dias quentes. No entanto, a queda nas vendas de cerveja é compensada pelo aumento do comércio de vinho. ''No inverno, a comercialização de vinho aumenta 40%, é o percentual que perdemos da cerveja'', diz Emerson Aparecido da Silva, encarregado do setor mercearia no estabelecimento.
Até no inverno, as vendas da cerveja pilsen são superiores a bock ou a escura. Do total comercializado, 70% são cerveja clara e 30%, escura.
Em março, houve um aumento de R$ 0,04 no preço de custo, mas o supermercado absorveu a diferença e não repassou para seus clientes. O preço da garrafa de cerveja, da marca líder, é R$ 1,75 mas, geralmente, nos finais de semana, a bebida entra em promoção e seu preço cai para R$ 1,69.
Já no Supermercado Fatão, as vendas de cervejas caem entre 8% e 10% durante o inverno. ''A diferença é que nos dias mais frios a comercialização de cerveja escura cresce 40%. No verão, nem mantemos estoque desta cerveja, só ficam algumas unidades nas prateleiras'', comenta Ruberlei Xavier Ruas, encarregado da loja. Para definir o preço da bebida, o supermercado faz semanalmente uma pesquisa de mercado nos estabelecimentos concorrentes.
''O último aumento do preço de custo ocorreu entre o final de fevereiro e o início de março, mas aumentamos ou diminuímos o custo do varejo conforme a concorrência. Ultimamente, o preço da garrafa de cerveja subiu R$ 0,17, enquanto o da lata variou de R$ 0,12 a R$ 0,15'', informa Ruas. Em todo o Brasil, do total de vendas de cerveja 65% são garrafas e 35%, latas.


