Com a proximidade do inverno, o consumo de amendoim aumenta até 50%, de acordo com os comerciantes e empresários do ramo. Com um crescimento de 20% na produção em 2004, o amendoim se torna, cada vez mais, um negócio rentável para produtores e donos de fábricas que utilizam o alimento como matéria-prima de seus produtos.
Apesar dos resultados positivos no setor, a produção de amendoim no Paraná não é grande. Na década de 80, uma tentativa de plantio do produto na região, liderado pelo Iapar, foi frustrada, por falta de interesse dos produtores. Hoje, pesquisas iniciais sobre o biodiesel podem incrementar o setor.
Segundo dados da Emater, na safra 2002/2003 foram plantados 4.016 hectares em todo o Estado, com uma produção de 8.200 toneladas. O rendimento foi de 2.043 quilos por hectare.
Em Londrina, a produção também é pequena. A área colhida foi de apenas 270 hectares, com uma produção de 540 toneladas e rendimento de 2 mil quilos por hectare.
Mesmo assim, algumas fábricas de doces da cidade se mantém com a fabricação de produtos à base de amendoim. A maior dificuldade, segundo os empresários, é encontrar matéria-prima na região. O amendoim utilizado em doces e paçocas vem de fora, a maioria do interior de São Paulo.
''O ideal era que o amendoin fosse produzido aqui na região. Para trazer a mercadoria de fora, o custo é muito elevado'', afirma o proprietário da Indústria de Alimentos Apetitoso, Vanderlei Nápoli.
No ramo há 13 anos, Nápoli fabrica doces com amendoim, desde 2003. Ele começou o trabalho abastecendo uma empresa de catering (serviço de bordo em aviões) com sachês de amendoim. ''Durante a fabricação dos sachês, muitos amendoins quebravam e passamos a aproveitá-los para fazer paçoca, além de abastecer empresas de chocolate no Rio Grande do Sul'', explica o empresário, que também continuou no ramo da produção de amendoins inteiros, fabricando doces e salgados.
A produção é de sete toneladas por mês, vendidas a 60 distribuidores de Londrina e região, que também repassam o produto para Mato Grosso, Rio de Janeiro e até Tocantins.
Para produzir os doces, o empresário compra cerca de 8 toneladas do produto por mês de cerealistas. Apenas a qualidade cavalo vem direto de um produtor, também do interior de São Paulo.
Para o fabricante de doces Paulo Roberto de Morais, da Q. Doce Sabor, falta incentivo da Secretaria de Agricultura para a produção de amendoim na região. ''É preciso fazer um trabalho de incentivo para que a produção aqui seja maior'', reclama o empresário, que compra seis mil quilos do produto a cada 10 dias, também do Estado de São Paulo. ''Gastamos com frete e se o amendoim fosse produzido aqui, sairia mais barato''.
Há 17 anos no ramo de doces, a produção da indústria que há seis anos fabrica paçocas é de seis mil pacotes por mês, também vendidos para cerca de 50 doceiros que fazem a distribuição em bares e lanchonetes. Ele também realiza a venda direta para o atacado, atendendo 10 lojas só em Londrina, além Curitiba, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e interior de São Paulo. ''Além do trabalho na indústria, geramos emprego para os distribuidores, por isso, o incentivo tinha que ser maior'', afirma o empresário.

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