Consumo de alimentos se mantém em alta
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terça-feira, 11 de fevereiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Os donos de supermercados continuam comemorando aumento nas vendas desde a implantação do Plano Real. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercadistas (Abras), as vendas no ano passado apresentaram crescimento de 3% em relação ao ano anterior. O que impulsionou a alta foram os itens alimentação e produtos importados.
Com dinheiro no bolso e sem a desvalorização diária da moeda, o consumidor se viu diante da possibilidade de adquirir produtos até então inacessíveis. Itens como iogurtes e queijos passaram a fazer parte do cardápio do consumidor das classes mais baixas, como as C e D.
Aliado ao maior consumo de supérfluos, o barateamento de produtos como a carne de frango contribuiu para mudar o perfil do consumidor. O frango, grande destaque do Plano Real, pôde ser comprado por R$ 1,00 o quilo. Após o segundo semestre do ano passado houve um aumento do preço do produto, chegando a atingir R$ 1,50 o quilo. Mas o preço voltou a cair em dezembro, atraindo novamente o consumidor.
Nos supermercados, as prateleiras dos importados são as que mais chamam a atenção. Os produtos importados têm qualidade e muitas vezes são mais baratos que os nacionais, diz o diretor-presidente da rede de supermercados Parati, Ruy Senff. Os importados representam 10% do total de vendas da rede Parati.
Senff acredita que o volume de vendas nos supermercados vai continuar alto, mas com tendência a estabilidade. Não temos uma estimativa sobre a continuidade do crescimento das vendas, mas apostamos que elas vão se manter aquecidas, diz o empresário. Ruy Senff afirma que as vendas aumentaram por causa da redistribuição da renda no País. Quem não consumia passou a consumir, constata.
A maioria dos supermercados também teve que adotar estratégias para atrair mais consumidores. Até o Plano Real os lucros dos supermercados eram baseados na aplicação financeira. Após o Plano, o lucro passou a ser operacional. Os supermercados tiveram que ajustar preços e criar promoções para ganhar o consumidor dos concorrentes.
Se os empresários adotaram novas regras para estimular as vendas, o consumidor adotou um novo perfil de compras. Ao invés de comprar em uma única vez, passou a ir com mais frequência aos supermercados para adquirir menos produtos. Segundo levantamento preliminar da última Pesquisa do Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que será divulgada em abril, as donas de casa decretaram o fim aos estoques de mercadorias nas suas despensas. A pesquisa, feita em 20 mil domicílios em todo o País, mostra que a maioria dos consumidores não está preocupada em manter estoques em casa. Na avaliação dos técnicos do IBGE, a mudança se deve à redução dos índices inflacionários.


