Consumo de água mineral cresce, mas lucro cai 50%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de julho de 2000
Vânia Casado e Maigue Gueths De Curitiba 
O consumo de água mineral explodiu no País nos últimos cinco anos e as vendas vêm crescendo ano a ano num ritmo de 20%. A previsão é atingir esse ano um consumo de 3,6 bilhões de litros, o que corresponde a um faturamento de R$ 800 milhões. Apesar disso, as empresas se queixam que estão trabalhando num mercado concorrido e as margens de lucro caíram 50% no último ano, disse o empresário Guto Mocelin, diretor da empresa Ouro Fino.Por conta dos baixos lucros, muitas empresas estão sendo colocadas à venda.
Segundo Mocelin, a maior parte das empresas de água mineral trabalha com prejuízo no inverno, quando cai o consumo, e dão lucro no verão. A concorrência acirrada vem sendo facilitada pela disponibilidade de água mineral no País, que tem o maior manancial de água mineral do mundo, diz Mocelin.
Para o presidente da Associação Brasileira de Indústria de Águas Minerais, Carlos Alberto Lancia, o consumo de água mineral no Brasil ainda é muito pequeno, incomparável com o que se consome em países da Europa. Lá, consome-se em média 100 litros de água mineral por habitante/ano. Já no Brasil o consumo é de apenas 17 litros por habitante/ano. No ano passado, a diferença foi de 3 bilhões de litros. Se o brasileiro consumisse como na Europa, chegaríamos a 17 bilhões de litros em 99, disse.
As marcas mais vendidas no Brasil, hoje, são Indaial e Minalba, do grupo Edson Queiroz. A Ouro Fino ocupa o 2º lugar no ranking nacional de volume e produção de vendas. Um problema no Brasil, de acordo com Lancia, é que a oferta é maior do que a procura. Com isso, os preços da água mineral são muito baixos no Brasil. Enquanto na Europa a garrafa custa entre US$ 0,85 a US$ 1,00, além da taxa de 8% de imposto, aqui a garrafa sai por US$ 0,35 a US$ 0,40, o que resulta em uma apertada margem de lucro para o fabricante.


