Rio de Janeiro - O consumo das famílias prosseguiu em expansão no terceiro trimestre, impulsionado pela disponibilidade de crédito e o aumento da renda O ritmo do crescimento, entretanto, foi reduzido
Segundo divulgou ontem o IBGE, o consumo, que tem forte peso no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB, cerca de 60%), registrou alta de 5,9% ante igual período do ano passado, na 28 expansão consecutiva nessa base de comparação
Segundo o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto, a alta foi sustentada por salários maiores e pela oferta de crédito A massa salarial real cresceu 10,2% no período e o saldo de operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas aumentou 17,1%, sempre na mesma comparação
O resultado apurado nesse confronto, no entanto, é menor do que o dos dois trimestres anteriores No segundo trimestre a alta foi de 6,4% e, no primeiro, 8,4%, também ante o mesmo período de 2009 Especificamente no terceiro trimestre, houve ainda alta de 1,6% nesse indicador ante o trimestre imediatamente anterior e um acúmulo, no ano, de uma expansão de 6,9%
Segundo o economista da MB Associados Sérgio Vale, a desaceleração do crescimento do consumo no trimestre se explica pela base de comparação, já que o País já voltava a crescer de forma mais acelerada no terceiro trimestre de 2009 Já nos primeiros trimestres do ano passado, o crescimento ainda sofria efeitos da crise financeira internacional iniciada em 2008, favorecendo os dados do primeiro semestre de 2010
''Na margem, o crescimento continua em ritmo forte Li o resultado como bem positivo para o consumo'', afirmou o economista, que prevê uma redução para uma alta de 5,6% no indicador no quarto trimestre - ainda ante igual período de ano anterior - e uma retomada para cerca de 6% em 2011
Para Vale, o recente pacote do governo que pretende restringir o crédito no País e a perspectiva de alta dos juros básicos na economia, no início do ano que vem, ''vão impactar certamente o consumo'' O especialista, no entanto, não aposta em perdas muito grandes
''Alguns setores serão mais afetados, como automóveis, em virtude do que o BC fez recentemente, mas ao mesmo tempo isso pode liberar espaço para consumo de outros produtos Quem queria comprar um carro e não vai conseguir pode decidir por trocar agora o aparelho de TV, por exemplo'', disse

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