Após um crescimento significativo da classe C nos últimos anos, a migração de boa parcela destas pessoas para a classe B começa a se tornar uma realidade no País. De acordo com dados do Ibope Inteligência, entre 2010 e 2015 existe uma expectativa de que dois milhões de domicílios realizem a migração vertical para a classe B, o que signicaria um salto na renda média familiar de R$ 1.541 para pelo menos R$ 2.565 (ver quadro). Este montante aponta que o poder de compra de tal faixa pode atingir nos próximos três anos R$ 753 bilhões, valor que ultrapassaria o da classe C, avaliado em R$ 660 bilhões.
Segundo especialista consultado pela FOLHA, estes novos consumidores ainda estão passando por um período de consumo elevado, o que é comum para quem está ascendendo socialmente. Portanto, existe uma diferença entre quem faz parte da classe B há certo tempo dos que estão ingressando agora. ''Eles estão saindo do que chamamos de consumo primário para o secundário e terciário. Isso significa uma cesta maior de produtos, a utilização de marcas de maior prestígio e o consumo de serviços mais elaborados, o que inclui gastos com cultura, educação, lazer, saúde e transporte'', avalia o economista da Faculdade de Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e diretor de pesquisa de Mercado Fractal, Celso Grisi.
Como citado por Grisi, a principal diferença entre a nova classe B para a ''antiga'' é a forma de utilizar sua renda. Ele explica que é comum que as classes emergentes consumam de maneira desenfreada, gastando com marcas de maior força no mercado, já que não estavam habituados com isso. ''Esta primeira fase de crescimento aponta para uma deseducação financeira. Podemos dizer, inclusive, que o comportamento social destas pessoas acaba sendo mais exuberante. Mesmo que a economia esteja desaquecida, não há um consumo consciente'', salienta o economista.

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