Consumo da carne bovina cresce menos em 2002
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2002
Eduardo Magossi 
São Paulo - O Brasil vai depender, novamente, em 2002, do mercado externo para ampliar suas vendas de carne bovina. A expectativa é do analista José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria. As vendas de carne bovina brasileira em 2002 não deverão, contudo, registrar o crescimento expressivo que vem sendo registrado nos últimos anos, principalmente em 2001.
As estimativas de crescimento do consumo de carne bovina mundial da FAO e do USDA para 2002 são insignificantes, entre 0,3% e 0,5%. Segundo ele, em 2002, as exportações de carne deverão registrar um crescimento modesto mas mesmo assim este crescimento será importante dentro do contexto da pecuária nacional já que, internamente, o crescimento do consumo de carne bovina é mais difícil. O potencial de crescimento do consumo interno é enorme, mas isto depende de uma melhor distribuição de renda, disse Ferraz.
No auge do Plano Real, em 1996, o consumo per capita de carne bovina foi de 41 kg. Em 2001, este consumo foi menor, de 35,3 kg, queda de 14% em cinco anos, expressiva se considerado que a população brasileira cresceu 8,10% no mesmo período. A expectativa é de que o consumo per capita permaneça neste patamar. A carne bovina tem maior apelo nas classes mais baixas. Porém, para este consumo aumentar, a renda das classes baixas precisa aumentar também, disse. Nas classes mais altas, a tendência é de que o consumo da carne registre queda. Os mais ricos possuem outras alternativas de alimentação e, por ter maior acesso a informações, deixam de comer carne bovina por motivos nem sempre verdadeiros, disse.
Exportação Depois de registrar um aumento de 42,55% em 2001, dificilmente as exportações brasileiras terão crescimento semelhante em volume físico no curto e médio prazos. Em 12 meses, as exportações brasileiras de carne bovina passaram de 553.701 toneladas para 789.349 t, segundo dados compilados pela FNP Consultoria. As exportações brasileiras de carne bovina cresceram impulsionadas pelo dólar elevado em relação ao real e pela saída do mercado da Argentina e do Uruguai, além dos choques sanitários registrados pela União Européia. Este cenário, que beneficiou as vendas em 2001, não estará presente este ano, explica Ferraz.


