São Paulo - As regiões metropolitanas do País respondiam por 48% do consumo de janeiro a julho de 1999. A surpresa: essa participação caiu para 44% no mesmo período deste ano. São as cidades com mais de 10 mil habitantes, algumas próximas a metropóles, que hoje respondem pela maior fatia do que o varejo oferece, inclusive congelados e semiprontos, antes mais vendidos em cidades como São Paulo, Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Rio, onde o estilo de vida é um forte aliado da praticidade.
A mudança de perfil do varejo foi captada pelo mais novo Painel do Consumidor Latin Panel/Ibope, que acaba de sair e pesquisou 56 categorias de produtos, chegando à conclusão de que a força do interior é movida não apenas a agronegócio, mas também, e sobretudo, pelo retorno a pequenas cidades daqueles que foram atrás de melhores salários e condições de vida nas metropóles.
O médico esteticista Carlos Henrique Quilici, de 41 anos, a mulher dele, a terapeuta ocupacional Eliana, de 39 anos, e a filha Marcela, de 7 anos, são um bom exemplo desse movimento migratório. Há quatro anos, a família Quilici mora em Indaiatuba, uma tranquila cidade a 112 quilômetros de São Paulo. ''Buscamos qualidade de vida sem abrir mão do conforto no consumo'', diz Eliana, que não dispensa congelados e semiprontos. Ela hoje trabalha na Prefeitura de Indaiatuba, enquanto o marido ainda atende pacientes em São Paulo e Campinas, mas tem planos de abrir uma clínica de estética na cidade.
Há seis anos, fugindo da violência dos grandes centros, a família Araújo também buscou refúgio em Indaiatuba. Hoje, Sandra Mara Araújo, de 44 anos, faz faculdade de Psicologia e acompanha mais de perto os estudos dos três filhos. Tiago, de 20 anos, estuda Publicidade e gosta de ir ao shopping da cidade com a mãe para as compras. Depois do supermercado, a livraria do Shopping Jaraguá é parada obrigatória. Sandra diz que encontra de tudo na cidade e não abriu mão de nada.
Em Vinhedo, a 80 quilômetros de São Paulo, Luiz Tadeu Sgarbosa, de 51 anos, vende 40 antenas parabólicas por mês. Ana Cláudia Fioratti, diretora do Latin Panel, diz que esse movimento tem a ver com a atração que as pequenas cidades sobre aqueles que querem ficar longe da violência dos grandes centros, sem abrir mão de produtos e serviços.
''Só que o mais importante para o varejo e a indústria de consumo é que o interior concentra ainda a população das classes D e E, que são aquelas que, com recuperação de renda, compram mais e estimulam o desenvolvimento de novas marcas, que obrigam as líderes a realizar investimentos ou a reduzir preços'', afirma. Em ambos os casos, quem ganha é consumidor: o do interior, que passa a ter acesso a categorias de produtos antes exclusivas das capitais, e os da capital, com a maior oferta de marcas.

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