Consumo consciente é arma contra inflação
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terça-feira, 26 de abril de 2011
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
O monstro está de volta. Este é o sentimento que o consumidor vem experimentando cada vez que vai ao supermercado. A inflação em abril, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), atingiu 6,44% no acumulado dos últimos 12 meses. E está cada vez mais perto do topo da meta estabelecida pelo Governo Federal, que é de 6,5% ao ano. Considerando apenas os primeiros meses de 2010, a inflação já está em 3,14%.
O aumento nos preços é o principal pesadelo deste início de governo da presidente Dilma Rousseff. E dá-lhe aumento da Selic - taxa básica de juros - para tentar dominar a fera. Na quarta-feira da semana passada, o Copom elevou a taxa em 0,25%, que está em 12%. Desde janeiro de 2009 não era tão alta.
Para o economista e professor universitário londrinense Renato Pianowski, o Governo Federal tem boa parcela de culpa na disparada dos preços por ter gastado muito nos últimos anos. Mas a responsabilidade maior, na opinião dele, é do próprio consumidor. ''O povo se esqueceu da época da hiperinflação e está sendo muito leniente'', afirmou.
De fato, o último índice inflacionário de dois dígitos foi registrado há 9 anos, quando o IPCA bateu em 11,98%. Mas inflação de dar medo o Brasil só enfrentou antes da implantação do Plano Real em 1994. Em 1993, por exemplo, chegou a 2.376,39%. Portanto, os brasileiros na faixa dos 20 anos de idade não conhecem a figura do etiquetador de supermercado.
''O consumidor precisa assumir sua responsabilidade. Se vai ao mercado e o preço do alface está caro, não compra. Deixa apodrecer na gôndola. A gente tem de tratar o nosso dinheiro com respeito'', declarou Pianowski. Para o economista, o governo tem que dar o exemplo e reequilibrar os seus próprios gastos, orientando os consumidores brasileiros para que também consumam de maneira consciente.
Também economista e professor universitário, Flávio Oliveira dos Santos observa que o consumidor brasileiro se acostumou com o aumento de preços e também às altas taxas de juros. A Selic, criada em 1996, chegou a 45,67% ao ano em 2007. ''Com esse histórico, nós até achamos natural pagar 8% de juros no cheque especial'', ressaltou.
Para o professor, o Governo não tem muita opção no momento, a não ser elevar os juros para tentar conter a inflação. Mas ele lamenta o ''efeito colateral'' que esta medida produz na economia. ''Reduz-se a inflação, mas também cortam-se postos de trabalho'', destacou. Santos também opinou que se a gastança governamental nos últimos anos tivesse sido menor a situação para todos os brasileiros poderia estar bem melhor.


