Consumo consciente ajuda a reduzir gastos
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sexta-feira, 13 de maio de 2005
Agência Estado 
São Paulo - Harmonizar o orçamento com as suas necessidades essenciais deveria ser a meta de quem deseja viver bem, sem sobressaltos financeiros. É assim que pensa Maluh Barciotte, Gerente de Projetos de Mobilização Social do Instituto Akatu, uma organização não-governamental, criada em março de 2001, em defesa do consumo consciente. ''A melhor casa para mim não tem de ser a mais cara e sim a que tem a minha cara'', defende Maluh, que é avessa a gastos por ostentação e a todo e qualquer desperdício.
''Está provado que todo desperdício é uma atitude inconsciente e burra. Então, as pessoas precisam ficar atentas porque, além da perda de dinheiro, o desperdício sempre contribui para esgotar um recurso natural do planeta'', alerta.
Ela exemplifica com quem ainda escova os dentes com a torneira aberta. ''Repare que a pessoa argumenta que faz isso só por um minutinho. Ou seja, faz tudo errado. Se fechasse a torneira poderia escovar por uns cinco minutos, que é o correto, e não desperdiçaria água'', diz.
Maluh lamenta que as pesquisas comprovam que a grande maioria dos brasileiros não faz planejamento. ''Se ganha 10x, gasta 10x. E isso independe de classe social. Todos fazem isso e acabam comprometendo pelo menos 35% da respectiva renda em prestações e juros.''
A representante do Akatu entende que as pessoas precisam tomar cuidado para não se deixarem levar pelo consumo por impulso. ''É preciso entender que quando equilibro minhas necessidades pessoais com as possibilidades ambientais, contribuo para a melhoria da qualidade da minha vida e da sociedade.''
''Cuidado com as liquidações e oportunidades, pois elas quebram muito orçamento'', adverte. A especialista acha que as pessoas devem refletir bem antes de qualquer compra. ''O indivíduo tem de pensar que vai destinar àquele consumo o produto do seu trabalho, da sua energia. Então, tem de ser cuidadoso ao usar esse dinheiro, pois o tempo é a única coisa que não dá para negociar na vida'', argumenta. Crédito, empréstimo ou financiamento só devem ser buscados em caso de extrema necessidade. ''É preciso se conscientizar que aquele dinheiro terá de ser devolvido com juros. Então, pense muitas vezes antes de recorrer a esse recurso.''
Compulsão e controle - Maluh informa que 5% da população é compulsiva em suas compras. ''Um número ainda maior tem dificuldade de se controlar, de planejar o consumo e apenas 20%, enquadrados como conservadores, são controlados.'' Para combater essa situação ela recomenda que se busque o maior volume de informações para efetuar as escolhas corretas. ''Tem de mudar a mentalidade e entender que não é verdadeira a idéia de que quanto mais tenho, mais feliz sou.'' Ela lamenta que as pessoas estejam confundindo conforto com moleza. ''Aí fica gordo e vai malhar na academia'', exclama indignada.
A mentalidade do desperdício está tão arraigada entre nós, que toda vez que alguém vai dar uma festa, uma frase se repete na hora de comprar alimentos e bebidas: ''É preferível sobrar que faltar''. Tão errado como o comprar a mais para não faltar, é o ato de valorizar a quantidade e não a qualidade. Nesse caso, ela se refere à existência de várias TVs numa casa como um fator desagregador da família.
Maluh condena ainda os que vivem de sinais exteriores de riqueza. ''Será que essas pessoas que ostentam, têm algo guardado para o caso de perderem o emprego'', pergunta. Acrescenta como um reflexo desse pensamento o fato de filhos adolescentes de altos executivos estarem ampliando o tempo de vida como estudante. ''Eles saem da faculdade e, no primeiro emprego, se sentem tão mal pagos, que voltam aos estudos para tentar alcançar o status dos pais'', explica.


