Milhares e milhares de consumidores são estimulados todos os dias a comprar produtos e adquirir serviços pelos diversos meios de comunicação através do sistema em massa de marketing das empresas. Isso vem ocorrendo cada vez mais cedo na vida das pessoas, levando-se a crer que não se consegue mais viver sem o hábito de comprar.

A sociedade moderna de consumidores induz as pessoas a term a visão de que são avaliadas por aquilo que ostentam ter e até como se vestem. Essa falsa avaliação tem levado muitos consumidores à ruína financeira seja pelo modismo, pelo status e pelo forte apelo mercadológico, simplesmente pelo prazer incontrolável de adquirir, comprar coisas independente da sua real utilidade, critério e necessidade, muitas vezes sem a mínima condição financeira para tanto.

Esse transtorno patológico é tratado na psicologia como “oneomania”, ou seja, transtorno psiquiátrico compulsivo marcado pela vontade incontrolável de comprar. Para esse tipo de pessoas, independente da classe social, condição econômica e formação intelectual, o consumo é visto como um vício, podendo ser comparado a um indivíduo alcoólatra ou até mesmo aos que fazem uso de drogas, pois ao comprarem se sentem aliviados da angústia, da tristeza e do desconforto psicológico, sem levar em consideração o quanto estão devendo.

Para esse grupo de consumidores alguns sinais de alerta são bem característicos: se alegram facilmente ao comprar coisas desnecessárias quando estão tristes ou frustrados; têm problemas de relacionamento familiar por conta dos gastos excessivos; suas dívidas são maiores do que o seu rendimento; se arrependem facilmente das coisas que compram; falta de concentração, perda ou aumento de apetite, falta de sono, irritação entre outros, havendo, entretanto, a necessidade de procurar ajuda profissional para tratar o problema.

O tratamento se baseia praticamente em atendimento psiquiátrico, participação em grupos de apoio para compartilhar experiências, terapias e técnicas que auxiliam no entendimento para modificar padrões de comportamento. Importante destacar que o Serasa Experian em parceria com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo lançou um teste para ajudar a identificar os possíveis sintomas e a forma de tratá-los (www.serasaconsumidor.com.br). O consumidor deve ficar atento a estes ou outros sinais e caso necessite procure a ajuda de um profissional.

Edilson Panichi - advogado membro da Comissão de Direitos do Consumidor OAB/Londrina

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