Consumo cai e fecha postos de trabalho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de abril de 2004
Adriana Chiarini<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A queda de 3,3% no consumo das famílias brasileiras no ano passado, em relação a 2002, causou a destruição de 897 mil postos de trabalho, calcula o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Young, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somando esses empregos perdidos com os que seriam criados se o consumo tivesse acompanhado o crescimento médio anual de 1,3% da população, o total atingiria 1,262 milhão de postos de trabalho.
''A política macroeconômica de contenção do consumo para o controle da inflação gera desemprego'', disse Young, que é professor do Instituto de Economia da UFRJ. ''Os setores ligados a consumo pessoal, como comércio, vestuário e serviços para a família, são os que mais geram emprego'', afirma. ''Mesmo o aumento dos empregos gerado pelo crescimento espetacular das exportações de bens e serviços, de 14% no ano passado, não compensa a destruição de vagas em outros setores'', afirma.
O incremento nas exportações criou, segundo as contas de Young, 856 mil postos de trabalho. O saldo entre os empregos perdidos pela queda do consumo e os criados pelo aumento das exportações é de 41 mil empregos destruídos. Contando também os postos de trabalho que deixaram de ser gerados pela não manutenção do consumo per capita, o resultado negativo vai a 406 mil postos de trabalho.
Young observa que o setor de agronegócio, que tem crescido no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é altamente mecanizado. ''Mesmo crescendo, a agricultura perde empregos'', afirma. Segundo Young, os quatro setores escolhidos pelo governo para a política industrial semicondutores, fármacos, bens de capital e software também se caracterizam por criar poucos empregos.
Young centrou seus cálculos na queda do consumo das famílias e nas exportações, não incluindo outros fatores, como a queda de 6,6% dos investimentos em construção civil e máquinas e equipamentos no conceito de formação bruta de capital fixo (FBCF) ou o aumento de 0,6% no consumo do governo. Sobre este último dado, ele observou que ficou abaixo do crescimento médio anual de 1,3% da população.


