CONSUMO - Preço do vinho afasta consumidores
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sábado, 20 de agosto de 2005
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O vinho é uma bebida apreciada desde antes do nascimento de Cristo por várias civilizações antigas. Sempre esteve presente e tornou-se indispensável em grandes banquetes, ocasiões festivas, caracterizando as festas e as relações de boa convivência. Atualmente, o gosto pela bebida continua e a variedade é muito grande. No entanto, no Brasil, o seu consumo ainda é muito pequeno (2 litros per capita/ano) se comparado com a Europa, onde cada habitante ingere cerca de 60 litros por ano.
E mesmo com a melhora da qualidade da produção nacional, segundo dados da União Brasileira de Vitinicultura (Uvibra) dos 21.653.061 litros de vinho comercializados no primeiro semestre deste ano, 57,5% 12.459.445 litros são importados. O restante 42,5% ou 9.193.616 litros é de vinhos finos brasileiros. A maioria dos vinhos estrangeiros que entra no País vem da Espanha, França, Portugal, Estados Unidos e Chile, respectivamente.
Na avaliação do presidente da Uvibra, Danilo Cavagni, o preço não é um fator determinante para o baixo consumo do vinho. ''Há vinhos para todos os bolsos, de R$ 2, R$ 3 o litro, o que acontece é que o brasileiro não tem o hábito de consumir vinho. O consumo se transmite entre as gerações'', afirma. Mas na opinião de comerciantes, o alto preço dos vinhos nacionais considerados de boa qualidade é um forte fator determinante.
''Os bons vinhos nacionais estão na faixa dos R$ 30 e concorrem diretamente com os chilenos e argentinos. Acredito que se o preço caísse para a faixa dos R$ 20 alguns consumidores ficariam mais tentados a experimentá-los'', avalia Rui Manuel dos Reis de Oliveira Alípio, proprietário da Real Import, que também é um apreciador da bebida. Ele acrescenta que títulos nacionais têm qualidade semelhante ou até superior que seus concorrentes importados.
O diretor comercial da rede de Supermercados Condor, Jefferson Fidelis de Oliveira, acrescenta que, atualmente, os preços dos rótulos chilenos e argentinos estão mais compatíveis com o bolso dos brasileiros. ''Do total das nossas vendas, 65% são de importados e 35% de nacionais. A qualidade dos vinhos nacionais melhorou, mas o custo do bom vinho ainda é alto'', avalia. Na sua opinião, não é o custo de produção que eleva o preço dos vinhos, mas a alta carga tributária brasileira.
Picos de consumo Segundo a Uvibra, no Brasil o consumo de vinho é feito de picos. Cerca de 70% de todo o volume produzido é comercializado durante os três meses de inverno (junho, julho e agosto) e nos dois últimos meses do ano, alavancado pelas festas de fim de ano. Os vinhos tintos dominam a preferência nacional: entre 60% e 70% do mercado. No geral, o consumo de vinhos não tem um aumento anual, apenas acompanha a evolução do crescimento vegetativo.
Mas o fato é que justamente nesta época do ano que o comércio varejista investe nas vendas com a introdução de novos rótulos no mercado e até promoções para atrair o público. A Real Import, por exemplo, colocou dois vinhos importados chilenos em promoção ao preço de R$ 19,90. ''O nosso movimento é constante durante o ano todo, no inverno ou no verão'', diz o proprietário. Na carta de vinhos da loja, estão rótulos portugueses e nacionais, alguns dos quais a própria empresa local é a importadora.
''A diferença entre os produtos importados legalmente e os contrabandeados é o rótulo. Nós temos que trazer todas as informações em português, enquanto os outros vêm em qualquer idioma. Também tomamos todos os cuidados com o transporte e o armazenamento e com o contrabando isso nem sempre ocorre'', avalia Alípio.
Os Supermercados Condor têm registrado um aumento anual de 20% a 25% nas vendas. Na carta estão cerca de 450 rótulos, alguns ''garimpados'' na Argentina e no Chile, que estão à venda ao consumidor por preços que variam de R$ 8,90 a R$ 19,90. ''É um preço promocional para o inverno os que trouxemos nesta faixa de preços vendemos tudo'', diz o diretor comercial Jefferson de Oliveira. Os vinhos que estão neste patamar de preço são os campeões de vendas.
''É um preço compatível com a qualidade. Não adianta tomar uma bebida de R$ 15 achando que está tomando um de R$ 80'', exemplifica. Do total das vendas, 80% são tintos. Já o Carrefour de Londrina tem um histórico anual com registros de boas vendas, mesmo com temperaturas altas. Mas para atrair mais consumidores, atualmente, quatro rótulos estão em promoção com preços que variam de R$ 13,90 a R$ 22,50.


