CONSUMO - Paixão declarada pelo vinho
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sábado, 20 de agosto de 2005
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Os apreciadores de vinho têm uma relação de amor com a bebida. Eles não se contentam somente em degustá-lo, mas estudam, aprendem suas particularidades, características e se aperfeiçoam. O contador e advogado Jair Ancioto superou esse limite. Há 15 anos, ele mesmo faz o seu vinho em casa, artesanalmente.
A relação de Ancioto com o vinho teve início na infância. Aos 12 anos, seu pai ficou doente e começou a tomar vinho para estimular o apetite. Desde a época, ele adquiriu o hábito que não abandonou mais. Hoje, toma pelo menos uma taça da bebida todos os dias. Os seus preferidos são os que levam na composição as uvas cabernet sauvignon, malbec argentina e pinot noir. No entanto, para fabricar o próprio vinho Ancioto utiliza as uvas bordeaux, terci e isabel, trazidas diretamente do Rio Grande do Sul, e a niágara, comprada aqui na região.
Ele faz os vinhos apenas uma vez por ano, geralmente, nos primeiros meses. Nesta época, também ajudam no processo o pai e o irmão. ''É uma festa, a família toda fica envolvida na fabricação'', comenta. O vinho é feito manualmente, com utensílios domésticos, e as uvas ainda são pisadas. Algumas poucas são prensadas. O fabricação dos Ancioto rende entre 300 e 500 litros de vinho por ano.
''Queria fazer o vinho do meu jeito, adaptado ao meu paladar. É um vinho próprio, sem adição de conservantes e aditivos. Não há qualquer mistura, eu sei o que estou bebendo'', resume Ancioto. Para chegar no vinho adaptado ao seu paladar, ele conta que fez algumas experiências e ainda guarda todas as anotações das receitas. ''Assim, avalio qual ficou melhor e vou repetindo'', ensina.
O advogado João Tavares de Lima também tem o hábito diário de ingerir a bebida. Ele toma um cálice de vinho todos os dias durante as refeições. ''Comecei a tomar por gosto, com o vinho de garrafão, e fui aprendendo. Hoje tomo o tinto seco chileno, que é o melhor na relação custo/benefício'', ensina. Segundo ele, esses vinhos são comparadas aos franceses, da região de Bordeaux, considerados os melhores do mundo, com a vantagem de custar um terço do seu preço. Lima prefere os de uvas cabernet sauvignon, merlot e carmeneri, todas varietal.
O seu hábito é tão forte que foi estendido para os familiares. ''Todos bebem, só que moderadamente'', afirmou o advogado. Ele é um dos membros fundadores da Confraria do Vinho, que se reúnem para degustar a bebida. ''Gosto tanto de vinho que levo até para pescarias'', resume.
O sommelier do Restaurante Serafini, Roberto Luiz Santana Santos, é outro que se diz um apaixonado por vinhos. Há quatro anos ele começou a estudar, pesquisar e degustar a bebida. ''O interesse veio da minha área de trabalho, que é a gastronomia, mas comecei a estudar mais por curiosidade e por gostar de apreciar'', observa. Na sua avaliação, os vinhos chilenos, atualmente, apresentam a melhor relação custo/benefício do mercado.
Ele não costuma tomar a bebida todos os dias porque tem que provar a bebida quando algum cliente do restaurante em que trabalha reclama da qualidade. ''Não há muitas reclamações, o que ocorre é que muitas vezes o cliente não conhece o vinho e a bebida não traz aquele sabor que ele esperava'', comenta. Quando é solicitado, ele também costuma sugerir as combinações adequadas entre o prato e a bebida. ''Temos que sentir as boas sensações que o vinho nos dá'', observa.


