CONSUMO - Cartões vêm superando cheques
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sábado, 09 de junho de 2007
Vera Dantas<br> Agência Estado 
São Paulo - Carnês, cartões de crédito, de débito e de lojas estão roubando o espaço do cheque no comércio. No ano passado, as transações com cartões de crédito somaram R$ 1,99 bilhão e superaram o volume de cheques compensados, que foi de R$ 1,71 bilhão. Os pagamentos com cartões de débito e crédito ultrapassaram R$ 3,6 bilhões. O dinheiro de plástico se popularizou tanto que é aceito até em barraca de feira.
Nas compras de supermercado, o cheque também está perdendo fôlego. A participação dele baixou 7,5% para 3,8% entre 2002 e 2006, enquanto a do cartão de crédito subiu de 17,8% para 20,1% e a do cartão de débito de 9,5% para 14,8% no mesmo período de comparação.
O dinheiro ainda é o meio de pagamento mais usado pelo consumidor no supermercado. Mas ele perde participação nas vendas a cada ano, devido principalmente ao crescimento dos cartões. Em 2002, os pagamentos em dinheiro correspondiam a 33,7% das vendas. Em 2006, o porcentual caiu para 28,2%.
Os números da Serasa, empresa de análises e informações financeiras, revelam que nos últimos 15 anos o número de cheques compensados no sistema bancário caiu quase 50% - despencou de 3,2 bilhões em 1991 para 1,71 bilhão em 2006.
''É claro que o cenário econômico mudou muito nos últimos anos e outras formas de pagamento conquistaram o consumidor'', observa o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique Almeida. Ele lembra que antes do Plano Real a inflação altíssima inibia o uso do cartão de crédito. O pagamento em cheque predominava no comércio. Nessa época, os cartões de débito nem sequer existiam - eles só aparecerem depois de 1996.
Fora de moda - Mesmo num período mais recente, o volume de cheques compensados vem minguando. Em 1999, a participação, em quantidade, dos cheques como instrumento de pagamento era de 62,5% e caiu para 27,4% em 2005, segundo números do Banco Central. Já a presença dos cartões de crédito subiu de 13,8% para 28% no mesmo período. Nos cartões de débito, o salto foi de 2,7% para 17,2%.
Os especialistas da área de bancos acrescentam que, além dos cartões, os cheques também perdem espaço para as transferências de crédito eletrônicas. Os números mostram isso. As transferências de crédito por meios eletrônicos (DOC e TED) nas transações de maior valor também cresceram e representam 17%.
Pesa também contra o uso dos cheques o custo das tarifas bancárias. Só para enviar um talão de cheque via correio, por exemplo, os bancos podem cobrar de R$ 3,60 a R$ 6,00, segundo a última pesquisa do Procon. Isso, sem contar as taxas cobradas por uso acima do previsto das folhas do talão. E há ainda quem observe no comércio que há mais consumidores que evitam o cheque por segurança, com receio de falsificações.
Não é que o cheque vá desaparecer, na avaliação da Serasa, mas ocupará um outro nicho com o crescimento de novos meios de pagamento. ''Afinal, 1,7 bilhão de transações com cheques representa um volume significativo'', diz Almeida. ''A grande vantagem do cheque ainda é ser um instrumento barato para o lojista. Tanto é que uma parcela ainda evita o uso de cartão por causa dos custos.''


