CONSUMO - Brasileiro promete cautela nas compras
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quinta-feira, 04 de novembro de 2004
Márcia De Chiara<br>Agência Estado 
São Paulo - O brasileiro está disposto a comprar mais comida e assumir menos dívidas neste fim de ano. A aquisição de bens e serviços de maior valor, como automóveis, casa própria e viagens de férias para o exterior, ainda será feita cautelosamente. Isso é o que revela uma pesquisa da Pythia Research que avaliou as intenções de consumo para o período setembro a novembro. Foram ouvidas 750 pessoas, de todas as camadas sociais, em 151 cidades espalhadas pelo País. O período de coleta das informações ocorreu entre os dias 1º e 22 de setembro, antes, portanto, da última elevação da taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual.
Em setembro, 14,9% das famílias informaram que comprarão um volume maior de alimentos nos três próximos meses, ante 10,5% no trimestre anterior e 14% no último trimestre do ano passado. Paralelamente, também diminuiu a intenção das famílias de reduzir consumo de alimentos nos próximos três meses. Em junho, esse indicador estava em 26,7% e, em setembro, caiu para 19,9%. No último trimestre de 2003, o índice estava e, 26,6%.
''O afrouxamento no consumo de alimentos demonstra confiança maior na melhora do ritmo de atividade'', afirma o coordenador da pesquisa, Daniel Famano. Ele frisa, no entanto, que a recuperação é comedida. Tanto é que teve um pequeno crescimento, de 30,9% em junho para 36,1% em setembro, o número de pessoas dispostas a comprar a prazo. Esse índice, porém, é um pouco mais da metade do registrado no mesmo período de 2003, quando a perspectiva era de queda dos juros. Em setembro do ano passado, 65,4% das famílias pretendiam assumir dívidas no último trimestre.
''A sensação de estar endividado não é confortável por causa da alta dos juros, especialmente no caso de cifras mais elevadas'', diz Famano. No caso de veículos, por exemplo, a intenção de compra para próximos três meses é menor em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período do ano passado. Os resultados são semelhantes para gastos com viagens de férias no Brasil e no exterior, compra e reforma da casa própria.


