Consumismo também afeta as crianças
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terça-feira, 09 de maio de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba O consumismo na infância está preocupando pais e educadores. Por outro lado, a indústria e o comércio investem cada vez mais em campanhas de marketing voltadas para as crianças. A pedagoga com mestrado em Psicologia da Educação, Ana Lúcia Villela, disse que o fato de a criança virar consumista é conseqüência do marketing infantil veiculado principalmente pela televisão. Segundo ela, hoje 90% dos produtos alimentícios que têm propagandas veiculadas na tevê são gordurosos e ou açucarados.
Ela esclarece que os pais têm pouco tempo para ficar com os filhos porque trabalham e, com isso, tentam compensar a ausência deles comprando. Segundo Ana Lúcia, o que as crianças mais pedem para os pais são alimentos, seguidos de brinquedos e roupas.
Entre os principais efeitos do marketing sobre as crianças ela cita a obesidade, a sexualização precoce e o consumo precoce de álcool, a violência na juventude, o materialismo excessivo e o desgaste nas relações familiares. Bastam 30 segundos de um comercial para influenciar a criança a fazer igual, disse.
Ela explicou que, quando a criança começa a fazer birra para conseguir um produto, os pais devem ser duros. Outras soluções são fazer atividades junto com os filhos que não envolvam mídia, manter as regras combinadas e determinar regras claras. Ana Lúcia destacou ainda que os pais não precisam dar presentes todo dia ou toda semana para a criança mas apenas em datas comemorativas. Por estarem trabalhando os pais sentem culpa e querem compensar com presentes, disse. A pedagoga também sugere que os pais conversem com as crianças e as estimulem a interpretar a mensagem que está por trás dos anúncios publicitários.
Segundo ela, no Brasil, a criança fica 4,51 horas por dia na frente da TV. O ideal seria 14 horas semanais, de acordo com dados da Associação Médica Americana. Ana Lúcia lembrou que pesquisas com adolescentes revelaram que eles se definem como uma geração vaidosa e consumista.
Ela sugere que os pais comecem a tentar passar outros valores que não sejam comprar e comprar e dar ênfase a valores culturais e não materialistas. A especialista recomenda atividades diferentes como ir ao parque, jogar, levar a criança na casa de amigos e familiares.


