Depois de um marasmo nas vendas, que durou pelo menos três meses, o consumidor voltou a demonstrar a intenção de adquirir bens duráveis, de acordo com o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Para este tipo de produto - que inclui automóveis, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, celulares etc - a elevação foi de 0,8% entre agosto e setembro. Esta é a primeira alta desde maio deste ano, quando fechou em 2,4%.
Em setembro, o ICC voltou a crescer, passando de -1% para 1,4%, no comparativo com agosto. Desta vez, foi o otimismo com o mercado de trabalho o responsável pela melhora da percepção do consumidor sobre a situação econômica atual, item que mais influenciou a alta do índice. ''O resultado está alinhado ao que está acontecendo com a atividade econômica. O consumidor estava mais cauteloso, mas começa a adquirir segurança e a pensar em retomar as compras'', disse a coordenadora técnica do levantamento, Viviane Seda.
De acordo com o diretor comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcelo Ontivero, é possível notar uma melhora nas vendas do comércio deste mês. ''Percebemos que a prorrogação do IPI para a linha branca acabou ajudando bastante. Os smartphones também continuam vendendo bem, já que sempre surgem novas tecnologias. Em nosso caso, aqui no Móveis Brasília, houve também uma procura maior pelo crediário'', avaliou ele.
Porém, numa rápida pesquisa pelo Calçadão da cidade, a conversa de muitos comerciantes não foi tão positiva assim para as vendas de setembro. O gerente da BJ Santos, Celso Padilha, calculou uma queda de 20% nas vendas em comparativo ao mesmo período do ano passado. Ele recorda que o último mês com as metas superadas foi julho. ''Agosto e setembro ficaram estagnados. Agora, já estamos visando as vendas de final do ano, trabalhando com os nossos clientes. Esperamos um incremento de pelo menos 10%'', declarou.
O consultor de vendas da Colombo, Eldrey Pelisson, concorda com a opinião de Padilha em relação às vendas deste mês. ''Agosto foi um mês interessante, mas esperávamos um fluxo melhor em setembro. A partir de outubro, a tendência é de uma melhora na movimentação da loja.''
Famílias
A avaliação sobre a situação financeira atual da família caiu 0,2% neste mês ante agosto. O mesmo item já havia caído 0,2% no mês passado. A interpretação da FGV é de que as famílias com renda mais baixa sentem a inflação dos preços dos alimentos e estão com os seus orçamentos ainda comprometidos por dívidas passadas, o que acaba influenciando para baixo o índice. ''O ICC teria avançado mais não fosse o pessimismo com a inflação dos alimentos'', salientou a economista da FGV, Viviane Seda.
A preocupação com a inflação derrubou também a taxa que mede as expectativas em relação às finanças familiares, que caiu 1,4% de agosto para setembro, após alta de 0,4% no mês anterior. Mais uma vez, prevaleceu o pessimismo entre as famílias com renda de até R$ 2,1 mil mensais. Neste grupo de consumidores, o Índice de Expectativa recuou 1,1% de agosto para setembro, enquanto o Índice de Situação Atual avançou 3,3%. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Consumidores voltam a procurar por bens duráveis
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