Consumidores voltam a ficar inadimplentes
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sábado, 12 de outubro de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Apesar da tendência de queda da inadimplência registrada desde o início do ano - em setembro houve recuo de 2,1% -, um levantamento realizado pela Boa Vista Serviços mostrou que 56,4% dos consumidores que saíram do banco de dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) voltaram a se tornar inadimplentes após o período de um ano. Dentro do prazo de três meses após a saída do banco de dados, três em cada dez consumidores voltaram à condição de inadimplência, disse ainda o estudo.
"Isto acontece direto", afirma a doméstica Flávia de Souza. "A situação financeira não ajuda muito." Flávia tem três filhos e paga prestações da casa própria, o que faz a situação apertar um pouco de vez em quando. "Não tem como deixar de comprar comida." Para agravar a situação, tempos atrás ficou desempregada, e só agora conseguiu um novo emprego e renegociar a dívida. Em uma das situações que ficou endividada, a doméstica já se livrou do cartão de crédito para não correr o risco de se endividar mais ainda.
O mecânico Juliano Ramos já ficou endividado duas vezes por ter ficado sem emprego, depois do término do contrato temporário. Em uma das situações, acabou contraindo uma dívida com o banco. Na segunda, com a loja onde tinha comprado móveis. "Estou quitando agora, pois consegui um emprego fixo."
Segundo Fernando Cosenza, diretor de Marketing, Inovação e Sustentabilidade da Boa Vista Serviços, existem dois principais motivos que fazem que as pessoas reincidam na inadimplência, citados em pesquisas anteriores: o desemprego e o descontrole financeiro.
A professora e coordenadora do projeto de Finanças Pessoais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ana Paula Mussi Cherobim, acrescenta que existem outros dois problemas que se somam a este cenário de reincidência. O primeiro é a falta de educação financeira da população. "As pessoas não têm noção do que o dinheiro pode comprar, não têm noção do valor real das coisas e não fazem contas."
O outro problema, na visão da professora, está na grande oferta de crédito no País. "É quase invasiva na vida das pessoas", critica Ana Paula, citando situações comuns no dia a dia dos brasileiros como a oferta constante de crédito pelo telefone, nos caixas eletrônicos e no site do banco na internet.
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