Consumidores se rendem aos consórcios
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sábado, 09 de outubro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na falta de crédito com taxas mais amenas, os consumidores brasileiros se renderam aos consórcios como alternativa para aquisição de bens duráveis. O produto campeão dessa modalidade de financiamento são as motos. De cada 100 motos vendidas no País, 60 são por meio de consórcios. Mas hoje em dia se formam grupos de consórcios para tudo - compra de veículos, caminhões, barcos, eletrodomésticos e móveis.
Os participantes ativos dos consórcios somam 3,25 milhões de pessoas em todo o País, sendo 9% desse total no Paraná. No Estado são cerca de 300 mil consorciados que escolheram essa alternativa de financiamento para escapar dos juros altos, que muitas vezes aumentam o preço do bem em até 70%, disse Rodolfo Montosa, presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac-PR). Ele defendeu a formação de consórcios como alternativa para forçar a poupança, através da disciplina financeira.
A venda de novas cotas, acumuladas entre janeiro e julho deste ano, atingiu 955,9 mil, 4,8% superiores às 912,1 mil do mesmo período no ano passado. Também as contemplações evoluíram. A retomada da economia, a recomposição dos salários dos trabalhadores e a recuperação dos empregos são os três principais fatores que justificam uma evolução maior do sistema nos sete primeiros meses deste ano.
O consórcio de imóveis vem sendo o mais procurado pelo consumidor. Segundo Montosa, as facilidades para adesão ao grupo e parcelas compatíveis com o nível de renda são os fatores determinantes para esse crescimento. Citou como exemplo um crédito de R$ 60 mil para compra de um imóvel. O consorciado vai quitar esse valor num período de 10 anos, pagando por isso cerca de R$ 600,00 mensais.
Mas os administradores de consórcios estão de olho nos grupos de renda mais baixa, que são aqueles que necessitam de até R$ 10 mil para compra de uma moradia básica, disse Montosa.''Esse consumidor é o mesmo que já adquiriu a moto, pagou direitinho e agora é um candidato potencial para compra de uma moradia própria'', afirmou.
Os participantes dos consórcios de motos, produto com maior presença no sistema, totalizaram 1,86 milhão no primeiro mês do segundo semestre, com alta de 10,7% sobre os 1,68 milhão, em igual data de 2003. A comercialização de novas cotas acumulou entre janeiro e julho deste ano 529,4 mil, 2,4% mais que as 516,8 mil registradas no mesmo período, há doze meses.
A advogada especializada em defesa do consumidor, Ana Regina Galli Innocenti, no entanto, fez um alerta aos consumidores, diante do risco do sistema. De acordo com Innocenti, entre 2002 e 2003 o Banco Central decretou a liquidação judicial de 32 empresas administradoras de consórcios. Com a inadimplência do consumidor,''muita empresa quebra e leva o consumidor a perder todo o investimento'', avisou.


