Consumidores são movidos pelo impulso
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domingo, 27 de outubro de 2013
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Quase metade dos consumidores entrevistados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) declarou que já comprou algo que sequer chegou a usar, mesmo se classificando como moderados no momento das compras. A pesquisa, em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mostrou ainda que os brasileiros cedem às tentações do consumo por um motivo muito simples: "porque eu mereço". De acordo com a SPC, 59% dos entrevistados contaram que pensaram desta forma quando fizeram uma compra sem analisar a situação financeira. Mais de 60% também admitiram que pensam em fazer compras supérfluas mesmo antes de receber o salário.
"Eu gosto de comprar", declarou a auxiliar administrativa Marcielle Vidal. Segundo ela, seu armário está cheio de roupas ainda com a etiqueta. No dia da entrevista, ela estava em uma loja de calçados escolhendo uma bota, e no dia anterior tinha comprado um vestido. Quando chegou em casa, provou e disse que não gostou. "Só neste mês comprei quatro sapatos", conta.
Mãe e filha, que faziam compras juntas, divergiam quanto à frequência das comprinhas por impulso. "Fiz, mas já faz muito tempo", disse a mãe, a auxiliar de serviços gerais Giovana Santos. "É frequente! Agora mesmo, estou vendo sapatos, mas é desnecessário", afirmou a filha, Mayara Colaço. Em algo, porém, elas concordam. "Quando você está com estresse e faz compras, parece que melhora", comentou a mãe. "É uma coisa prazerosa", ressalta a filha.
A doutora em Psicologia Econômica Vera Rita de Mello Ferreira, professora da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), em São Paulo, explica que é natural do ser humano agir na maior parte do tempo por impulso. Este comportamento tem origem na pré-história, quando o homem precisava tomar decisões rapidamente, por instinto.
Além disso, são os impulsos que movem o ser humano em busca dos seus objetivos, e as compras aparentam ser uma maneira rápida e fácil de conseguir o que ele quer. Mas uma consequência de agir desta forma pode estar na inadimplência. Segundo dados do SPC, no acumulado do ano, a inadimplência atinge crescimento de 4,09%.
Para evitar esta situação, antes de tudo, é importante que a pessoa perceba que tem o costume de comprar por impulso. Depois, "o ideal é cada um encontrar a sua estratégia", aconselha Vera. Uma dica é já sair de casa sem o cartão de crédito ou apenas com o dinheiro necessário quando sentir que poderá perder o controle. Dinheiro vivo é melhor, pois os gastos podem ser controlados mais facilmente. Outro conselho é sair com outra pessoa que possa ajudá-lo a se controlar. Quando se sentir vulnerável, o consumidor também deve tentar não se expor muito a ambientes como shoppings e supermercados.
O professor de Economia do curso de Administração da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Carlos Eduardo Boni, diz que a palavra-chave para evitar o descontrole é planejamento. O consumidor também deve sempre avaliar com calma suas compras, e levar uma lista do que precisa. "Se a pessoa não tem foco, não consegue se controlar." Também é preciso ter o apoio da família, diz Boni. Na pesquisa do SPC, 21% dos entrevistados disseram que já acompanharam amigos ou familiares a lugares que extrapolavam o orçamento "para não fazer feio".


