Consumidores relembram tempos difíceis
A situação vivida há mais de duas décadas quando a inflação acumulada superava 2.000% ao ano ainda está na memória da culinarista Vilma Rossi Cordeiro, que faz bolos há 35 anos.Eram tempos difíceis, uma loucura. A gente tinha que estocar produto e comprar sempre em grande quantidade, conta. Hoje, ela considera o cenário econômico bem mais favorável, mas diz que nos últimos cinco meses os preços dos produtos que usa para fazer os bolos estão subindo muito.
A duplicata que pago todo mês para a mesma quantidade de farinha de trigo, por exemplo, subiu de R$ 120 para R$ 148 de maio para junho. O leite e seus derivados também tiveram altas constantes nos últimos meses, diz Vilma. Para driblar a inflação e não aumentar o valor dos bolos que produz, ela fica atenta às promoções e compra grandes quantidades quando encontra preços baixos.
Presto atenção na TV. Quando os supermercados anunciam, vou lá. Como eles limitam a quantidade por pessoa, levo a família e as funcionárias para poder comprar mais, diz Vilma. Segundo ela, a estratégia tem sido fundamental para conseguir manter os seus preços. Não sei até quando vou conseguir segurar, acho que terei que aumentar um pouco.
Maria Neusa Depieri Vicente, comerciante há 42 anos, também não esquece dos tempos difíceis da inflação. Era uma época terrível. Se você vendesse hoje para receber do cliente amanhã, não conseguia pagar a mercadoria, lembra. Hoje, o sentimento dela em relação à economia é de que tem e ao mesmo tempo não tem inflação.
Os preços sobem e baixam muito rápido. Fui ver uma carreta de arroz para comprar, mas estou esperando o melhor momento. De uma semana para cá, o arroz baixou R$ 1 por saca, quero ver se o preço melhora, diz.
Ela credita a situação ao comportamento mais cons-ciente do consumidor. Hoje as pessoas deixam de comprar aquele produto que sobe muito e isso acaba forçando o preço para baixo, considera. (G.M.)





