Consumidores querem bons serviços
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sexta-feira, 09 de março de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Os consumidores mudaram. A época das pessoas que compravam determinados produtos apenas pela sua qualidade e utilidade efetivamente passou. É claro que estas características ainda têm o seu peso no momento da compra, mas os consumidores modernos estão em busca de um diferencial, um bem ou serviço agregado ao produto. ''Ninguém mais compra um determinado produto se não tiver acesso a serviços, como manutenção, assistência técnica e atendimento. Esse mundo dos bens, de produtos de plásticos, é um mundo que cada vez vale menos'', salientou João Felipe Sauerbronn, professor de Marketing de Serviços da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Sauerbronn esteve em Londrina esta semana para ministrar palestra de tema ''O novo consumidor e suas necessidades'', na Isae/FGV. O professor também é pesquisador de áreas de comportamento do consumidor e gestão de serviços, especialista em Administração Esportiva, mestre em Administração Pública e doutorando em Administração pela FGV. Na avaliação dele, apesar da mudança de comportamento do consumidor - mais interessado nos serviços e nas qualidades - ainda temos alguns setores onde o atendimento não foi modificado como forma de agregar valor ao produto ou ao serviço. Exemplos: serviços públicos de um modo geral e a exploração do turismo.
''Mas para haver essa mudança a primeira coisa é investir em educação, na preparação do profissional. O profissional que não é preparado vai ficar na linha de montagem a vida inteira, trabalhando 15 horas por dia e ganhando pouco'', observou o professor. Na avaliação ele, os investimentos mais rentáveis seriam o desenvolvimento tecnológico, que traz dividendos à toda a sociedade. Este seria o caso da Califórnia, estado americano, que concentra o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, perdendo apenas para o PIB dos Estados Unidos. No local estão sediadas grandes corporações - com o seu capital intelectual - voltada apenas para desenvolvimento dos produtos.
''Os Estados Unidos não estão mais preocupados com a linha de montagem. Quando o produto vai para fabricação, acabou; os cientistas começam a desenvolver outros produtos. E isso ocorre porque eles (americanos) sabem que a riqueza está no desenvolvimento tecnológico, não na produção'', afirmou Sauerbronn. Ele acrescenta que o sucesso de uma economia pode ser traduzido pela sua capacidade de gerar bons serviços. ''E, neste mundo, as pessoas são muito importantes. As pessoas criam, máquinas não criam; e o ser humano tem uma capacidade ilimitada'', ressaltou. Ele lembrou que o Brasil está perdendo muitos cientistas porque o trabalho deles não chega a ser valorizado.
Na avaliação do especialista, a educação deveria ser mais valorizada no Brasil. ''Temos tratado muito mal a educação como valor e, talvez, a gente não tenha se preocupado com o prestador, que é o professor; é difícil encontrar quem queira ser professor hoje e, por isso, temos que fazer com que a comunidade brasileira perceba o seu valor'', argumentou o professor. De acordo com ele, anualmente cerca de 140 mil brasileiros de nível universitário saem do País a procura de trabalho e não necessariamente para fazer serviços qualificados. ''Eles não vão fazer o serviço para o qual foram preparados. Temos que investir nos valores da educação'', frisou.


