Consumidores protestam
contra alta de 50% do pão
Preço do produto de 50 gramas passou a R$ 0,15; fiscais do Procon fiscalizam padarias
Guto Rocha

Paulo Wolfgang
E o salário?A consumidora Gisa Pinheiro, comprando pão ontem em Londrina: ‘‘Este aumento é um absurdo’’Desde segunda-feira os consumidores londrinenses estão pagando 50% mais pelo pão francês. O preço do produto de 50 gramas subiu de R$ 0,10 para R$ 0,15. Segundo o diretor suplente do Sindicato dos Panificadores do Norte do Paraná e Região, José Antonio Domingos, houve uma ‘‘readequação’’ do preço. ‘‘Não é aumento, as padarias deixaram de conceder os descontos que vinham sendo praticados desde o início do Plano Real’’, afirmou o comerciante.
Domingos disse que o aumento do preço da farinha de trigo inviabilizou a manutenção dos descontos concedidos pelas padarias. Segundo o diretor do sindicato, o preço da saca de farinha de trigo especial para panificação já vinha subindo. Só este mês, passou de R$ 12,00 para R$ 13,00. Uma alta de 8,34%.
O aumento pegou os consumidores de surpresa. O empresário Elmo Cotrin disse que ficou assustado ontem quando foi comprar pão em uma padaria no Jardim Novo Bandeirantes. ‘‘Uma alta de 50% é muito para um País onde os preços não têm subido’’, comentou. Cotrin afirmou que o vendedor da padaria não deu explicações para a alta do pão. ‘‘Não comprei e não vou mais comprar. Agora vou fazer pão em casa’’, afirmou.
Contrin acionou a Procuradoria de Defesa do Consumidor (Procon) para reclamar da alta, que considera abusiva. ‘‘Todas as padarias resolveram aumentar o preço ao mesmo tempo. Isso é formação de cartel’’, acusa o empresário. A consumidora Gisa Pinheiro, que comprava pão ontem à tarde, também achou o reajuste dos preços abusivos. ‘‘É um absurdo o preço subir tanto assim porque o salário mínimo só aumentou R$ 10,00’’, comentou.
O promotor de Defesa do Consumidor em Londrina, Leonil Batisti, enviou às ruas ontem mesmo os fiscais do Procon para um levantamento junto às padarias. A diretora-executiva da Procuradoria do Consumidor, Sheila Maria Mendes Azolini de Ângelo, disse à Folha que o órgão recebeu várias reclamações de consumidores. ‘‘Só amanhã (hoje) teremos condições de fazer qualquer pronunciamento sobre essa alta’’, afirmou.

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