Consumidores pretendem economizar mais em 2015
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quarta-feira, 22 de julho de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
A situação econômica do Brasil tem tornado o consumidor mais cauteloso na hora de fazer compras e assumir novas dívidas. Uma pesquisa realizada pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), relativa ao segundo trimestre do ano, mostrou que 84% dos consumidores pretendem mudar o padrão de consumo economizando mais em 2015. O número é quase o mesmo do registrado no primeiro trimestre do ano, quando 85% dos entrevistados já tinham informado que alterariam o padrão de consumo. No último trimestre de 2014 esse porcentual era de 75%.
Para o economista-chefe da Acrefi, Nicola Tingas, o resultado da pesquisa neste último trimestre é um reflexo da economia e do orçamento das famílias com a recessão e o aumento do desemprego. "Muitas vezes, não sobra nem para pagar as despesas", disse. Segundo ele, várias famílias estão gastando menos porque faltam recursos ou por causa de dívidas que se acumularam e outras porque tiveram desemprego em casa.
Para a diretora do setor de sociais aplicadas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em finanças pessoais, Ana Paula Cherobim, o principal motivo que tem feito as pessoas economizarem é a inflação, seguida do endividamento excessivo e do medo de perder o emprego. "A inflação é muito danosa. Atinge as famílias mais simples que são muito endividadas", disse. "A inflação tira o poder aquisitivo. A prioridade agora é conseguir fechar as contas do mês", afirmou Tingas.
De acordo com o levantamento, 92% dos entrevistados disseram que a inflação é a principal responsável pelo freio na decisão de novos financiamentos. Entre o primeiro e o segundo trimestre subiu de 76% para 84% o total de consumidores que disseram não ter a intenção de fazer um financiamento em 2015.
Segundo a pesquisa, subiu de 66% em abril para 71% em julho o total de consumidores que acredita que a situação financeira do País é ruim ou péssima. Para 86% dos entrevistados, o desemprego vai aumentar nos próximos meses, ante 81% apontado no levantamento do primeiro trimestre deste ano.
O levantamento, que ouviu mais de 1 mil pessoas de todas as regiões do País, mostrou ainda que subiu a parcela de consumidores com algum tipo de dívida, 68% frente aos 62% registrados em abril. Tingas considera este percentual muito alto. "Ter dívidas em uma economia moderna é normal. Mas, o importante é qual a situação financeira da pessoa perante as suas dívidas. O problema é quando o consumidor perde o controle do orçamento e fica devendo no cartão de crédito e no cheque especial que têm os juros altos", alertou.
O cartão de crédito é a modalidade que mais contribuiu para o endividamento do consumidor. Enquanto 75% das pessoas declararam ter dívida de cartão de crédito, 29% disseram dever em carnê ou boleto, 21% em financiamento de carro, 18% em financiamento imobiliário, 15% no CDC, 3% em leasing e 3% declararam ter outros tipos de dívidas. O lazer foi o padrão de consumo que mais teve impacto para 83% dos entrevistados, seguido de vestuário (77%) e alimentação (76%).
As dicas de Tingas para o momento atual da economia são o consumidor conhecer o seu orçamento, colocar tudo na ponta do lápis e verificar o que pode fazer para mudar os seus gastos ou padrão de consumo. Fazer "bicos" também ajuda a aumentar a renda.
Ana Paula disse que agora não é momento de pensar em gastos como viagem para o exterior ou mesmo na reforma da casa. "Gastar menos. É isso que as pessoas minimamente responsáveis têm que fazer com o seu orçamento", afirmou. "Nunca é tarde para começar a economizar, mas tem que ser uma decisão familiar e não individual. Não adianta a mãe economizar nas compras do supermercado e o pai trocar o som do carro", exemplificou. (Com agências)


