Consumidores preferem comprar presentes baratos e à vista
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2003
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba Neste final de ano, o comércio apostou no prolongamento dos prazos para atrair os consumidores e aumentar as vendas. Mas não adiantou: os consumidores deram preferência a pagamentos à vista e gastaram pouco. Uma pesquisa informal, desenvolvida pela Associação Comercial do Paraná (ACP) junto a lojistas, mostrou que muitos consumidores fizeram suas compras com pagamento em dinheiro, uma vez que o 13º salário do funcionário público veio logo na primeira quinzena de dezembro. Em meio à crise financeira, as lojas populares, principalmente as de R$ 1,99, estão faturando muito mais do que no ano passado.
A instrutora de auto-escola Dora Gil, 60 anos, conta que, no ano passado, gastou aproximadamente R$ 50 com cada presente que comprou para os netos, filhos, genros e noras, totalizando 20 presentes. Neste ano, ela optou por comprar as lembranças nas lojas de R$ 1,99. ''Neste Natal, eu pretendo gastar cerca de R$ 70 no total'', disse. Para a ceia, no entanto, a instrutora não deixou para comprar tudo na última hora. Ela pesquisou muito até achar o lugar mais barato para comprar. ''Fiz pesquisa de preço em quatro supermercados'', contou.
Jussimara Paulista dos Santos, 35 anos, também fez o mesmo. ''No ano passado, o preço médio de cada presente era de R$ 5. Agora a maioria deles será de R$ 1,99.'' O marido e o filho de 15 anos tiveram sorte. ''Com os presentes do meu filho eu já gastei mais de R$ 50. Para o meu marido eu pretendo dar uma furadeira, mas vou tentar não apelar para o crediário. Pretendo gastar mais ou menos R$ 80 e pagar à vista'', contou. Jussimara disse que vai fazer inúmeras pesquisas de preço até encontrar o aparelho mais barato.
Dados da ACP revelam que houve aumento de cerca de 6% nas vendas de Natal deste ano em comparação às do ano passado. No último final de semana que antecedeu o Natal no ano passado, a ACP registrou 61.670 consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). No mesmo período do ano passado, foram 65.774 consultas. O vice-presidente da área de serviços da ACP, Élcio Ribeiro, acredita que 98% das consultas tenham sido revertidas em vendas, embora esse número também possa ser interpretado como um aumento das vendas a prazo. No mês de novembro, 10,5% das consultas ao SCPC e cerca de 6% das consultas ao vídeo-cheque deram negativas.


