Consumidores 'pisam no freio' para fugir de endividamento
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Consumidoroes que exageraram nos gastos em dezembro, entraram em 2005 pisando no ''freio'' para não estourar o cartão de crédito ou se endividarem com parcelas a longo prazo. É o que constatou a reportagem da Folha num volta pela Avenida Saul Elkind, na Zona Norte de Londrina. O recuo dos consumidores demonstra pouco otimismo em relação à situação econômica do País.
A vendedora autônoma Sandra Aparecida Diniz, 40 anos, disse é uma das pessoas que entraram o ano fazendo economias porque em dezembro comprou uma máquina de lavar em 10 parcelas. ''Me endividei praticamente pelo ano todo, então estou economizando. Nos dias de hoje, não dá para comprometer muito a renda, principalmente quando se tem três filhos adolescentes'', comentou ela, ''namorando'' uma sandália na vitrine de uma loja da Saul Elkind.
Para evitar dívidas, a dona de casa Andréia Rodrigues, 28, fez ao contrário de Sandra. Ela disse que aproveitou dezembro, fez compras mas pagou tudo à vista. ''Comprei cômoda, liquidificar, ferro de passar, roupas e calçados. Paguei tudo e já penso em novas compras nos próximos meses'', disse ela. Para isso, Andréia revelou que está guardando dinheiro. ''Quero comprar um jogo de quarto e um armário de cozinha. Espero comprar até julho e por isso começamos guardar um pouquinho por mês'', explicou.
Para este ano, Matilde dos Santos, 48, disse que só vai comprar o necessário. ''Estou construindo uma casa e, agora, só vou comprar materiais de construção. Não vou fazer gastos além disso. Quando compro alguma coisa prefiro pagar a vista para não ficar com dívidas''. Já a dona de casa Maria de Fátima Jorge, 48, ressaltou que terminou o ano fazendo compras e entrou janeiro gastando mais em roupas e calçados. ''Eletrodomésticos ou móveis só compro mesmo quando estraga e não tem mais jeito, mesmo assim a gente acaba gastando com outras coisas o ano todo''.
Mais ponderado, o aposentado Edvaldo Bezerra de Almeida, 48, informou que não vai comprar nada por enquanto. ''Estou olhando um tênis, mas custa mais que R$ 200. Não vou comprar, é muito caro'', comentou ele, que no final do ano comprou uma geladeira e parcelou em apenas duas vezes. ''Não faço mais do que duas parcelas. Se comprar para pagar durante 10 ou 12 meses, já era. Isso compromete toda a renda e, aí, só dando uns pulos para pagar''. O frentista Fabiano Silva, 21, disse que 2005 será um ano de economias. ''Gastei muito pouco no ano passado e esse ano não quero gastar nada. Quando preciso de alguma roupa compro a vista para fugir dos juros''.


