Consumidores não percebem alteração em pesos e medidas
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domingo, 19 de agosto de 2001
Benê Bianchi<BR>De Londrina 
Quantos consumidores costumam conferir o peso impresso na embalagem do produto que está comprando? Certamente poucos fazem isso. E por isso mesmo, nem todo mundo percebeu que muitos dos produtos que fazem parte da nossa compra corriqueira, como sabão em pó, sabonete, papel higiênico e biscoitos, encolheram de 10% a 25% sem a devida correspondência nos preços. As embalagens de sabão em pó, por exemplo, passaram de 1 mil para 900 gramas. O rolo de papel higiênico de 40 metros de várias marcas passou para 30 metros. Neste último caso, a redução da metragem corresponde a 25%.
''Nunca prestei atenção no peso que vem na embalagem'', admitiu a doméstica Santa Augusta de Oliveira. Da mesma forma, ela não notou redução de preços em nenhum produto que adquiriu nas última semanas. ''O meu gasto com supermercado continua o mesmo.''
A estudante Vanessa Machado, acostumada a comprar sempre a mesma marca de sabão em pó, também não notou que tem levado para casa 900 gramas e não mais um quilo do produto. ''As indústrias não deveriam fazer esse tipo de coisa. Estão tentando nos enganar'', reclamou ela ao ser alertada pela reportagem da Folha. Outro consumidor que raramente observa o peso do produto que compra é o lavrador Daniel Grange.
''Eu já ouvi falar que tem acontecido isso, mas o peso é um tipo de detalhe que raramente prestamos atenção porque sempre fazemos compra correndo'', disse ele, reclamando que ''o consumidor nunca é respeitado''.
Mesmo com o peso/medida liberados pelo governo federal (ver matéria abaixo), o coordenador de Defesa do Consumidor de Londrina, Tito Valle, avisa que o consumidor que se sentir lesado com preços abusivos praticados pelas indústrias, deve registrar a queixa no Procon. ''A redução da quantidade sem a redução de preço é uma prática abusiva'', comentou Valle. Segundo ele, as indústrias podem ser multadas em 200 a 3 milhões de Ufirs (de cerca de R$ 200 a R$ 3 mi).
O presidente da regional norte da Associação Paranaense de Supermercados, Valdemar Vedoato, confirmou que alguns produtos que tiveram o peso ou metragem reduzidos continuam sendo vendidos pelos mesmos preços. O papel higiênico é um deles. ''Outros produtos tiveram uma leve redução, que foi repassada ao preço final do produto'', assegurou ele. Na opinião de Vedoato, deveria haver uma pressão nacional para que o País retome as regulamentações de padronização de produtos.


