SÃO PAULO - O encarecimento do crédito não parece ter impressionado os consumidores que foram às compras no fim-de-semana em São Paulo. O aumento da alíquota do IOF sobre financiamentos ao consumo, anunciado na sexta-feira, entra em vigor hoje. Em shopping centers de São Paulo, no entanto, poucos se mostraram preocupados com as medidas. Muitos consumidores as ignoravam e os que haviam tomado conhecimento do encarecimento do crédito disseram não estar preocupados.
No último fim-se-semana antes do Dia das Mães, as principais ruas comerciais e os shoppings centers estiveram lotados. A consumidora Valéria Bernardo acha que não será atingida pela nova medida. ‘‘Sempre que faço algum financiamento, cálculo direitinho os juros para não entrar em fria’’. Ontem, ela comprou dois microondas. Um à vista, para ela, e o outro financiado em 36 meses para a irmã, com prestações de R$ 14.
O cheque pré-datado, que está fora do alcance das medidas do governo por não consistir formalmente num financiamento, continua sendo opção de crédito nas lojas de eletroeletrônicos. O pequeno empresário Reginaldo Azevedo, por exemplo, comprou uma geladeira de R$ 1.200 e vai pagar em quatro vezes com cheques pré-datados. A proximidade do Dia das Mães esquentou as vendas. Wagner Urbano da Cunha, por exemplo, veio de Socorro, no norte do Estado, para fazer entrega e aproveitou para comprar um Vaporetto para sua mãe. ‘‘Prefiro não fazer crediário. Ou pago com cartão de crédito ou com cheque pré-datado.’’ Marcelo Cardoso, que consultava preços de produtos, acha que ficou mais distante o sonho de comprar produtos como carro, filmadoras e televisores. ‘‘Quem usar crediário pode acabar enforcado. Essa medida afeta só o povão. Os ricos não vão parar de consumir’’.

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