Cláudia Lopes
De Londrina
Os londrinenses estão conseguindo reduzir os preços dos combustíveis na cidade, através de pesquisa de preços e retaliações aos postos que cobram mais caro. A iniciativa de abastecer os veículos em postos da região que cobram mais barato e gastar dinheiro ‘‘picado’’ apenas em locais que oferecem promoções levou alguns donos de postos de Londrina a baixar os preços dos combustíveis ontem. As vendas caíram até 40% nos estabelecimentos que mantiveram os preços.
O litro da gasolina baixou de R$ 1,32 para R$ 1,29 na maioria dos postos de Londrina. Em pelos menos dois estabelecimentos – o Carrefour e o Auto Posto Lago – o litro do produto custa R$ 1,27 desde ontem. O preço do álcool varia de R$ 0,57 a R$ 0,59 na cidade. A tendência é que os preços dos combustíveis continuem diminuindo, segundo empresários do setor.
A vendedora Maria Aparecida Dechechi é uma das pessoas que abastecem diariamente e em pequenas quantidades. ‘‘Eu gasto R$ 5, R$ 10 ou R$ 15 conforme o preço do posto. Sempre dirijo procurando faixas de promoção’’. A professora Suzana Deliberador acredita que os proprietários das revendas têm condições de reduzir os preços sem prejuízo. ‘‘Se tem posto em Curitiba cobrando R$ 1,12 pelo litro do produto porque em Londrina é R$ 1,29’’, questiona. Ela disse que irá modificar o motor de seu carro, passando de gasolina para álcool.
Quem também costuma rodar bastante antes de encher o tanque de seu veículo é o médico Sérgio Canavese. ‘‘Eu não sei se compensa andar tanto para conseguir um preço melhor, mas funciona como forma de pressão contra os postos que cobram caro’’.
O proprietário do Posto 15, Luiz Carlos Bolognesi, com cinco estabelecimentos na cidade, reduziu o preço da gasolina para R$ 1,29 ontem. À tarde, ele voltou a mexer no preço das bombas do Auto Posto Lago diminuindo o valor para R$ 1,27 – o mesmo preço do Carrefour. ‘‘Como o posto fica na avenida Higienópolis, tenho que acompanhar’’, disse. Bolognesi, que não concorda com as reduções, acredita que muitas revendas podem ‘‘quebrar’’ por causa desta briga com a concorrência.
O proprietário do Posto Kelly, Júlio César, tentava negociar ontem à tarde um desconto com a distribuidora a fim de diminuir os preços nas bombas a partir de hoje. ‘‘Meus funcionários ficaram de braços cruzados o dia inteiro. As vendas caíram 40%’’.
O diretor do Sindicombustíveis em Londrina, Valter Sasso, diminuiu os preços em seu posto ontem à tarde. ‘‘Até as 14 horas, enquanto estávamos operando com R$ 1,32, não vendemos nada’’, contou. Sasso acredita que haverá reduções maiores nos próximos dias por causa da concorrência. ‘‘Além de inviabilizar a operação dos postos, os preços baixos colaboram para aumentar a adulteração’’.Aumentos das pesquisas de preço e do consumo picado derrubam valor do litro de 1,32 para R$ 1,27 em alguns postos
Mario CesarCanavese: ‘‘Pressão contra os postos que cobram caro’’Mario CesarMaria Aparecida: ‘‘Dirijo procurando as faixas de promoção’’

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