Embora muitos dos estabelecimentos comerciais de Londrina estejam oferecendo o cupom fiscal com o valor dos impostos discriminado, poucos consumidores sabem disso. A reportagem percorreu vários estabelecimentos na quinta-feira e na sexta-feira e não encontrou nenhum cliente que conhecia a novidade. Quando avisados pela FOLHA, encontravam o valor na nota e reagiam sempre assustados.
O empresário Alexandre Costa Moretto fez uma compra de R$ 539,96 no Supermercado Muffato da Avenida Madre Leonia Milito (zona sul). Na parte inferior do cupom estava anotado R$ 147,37 como valor aproximado dos tributos, ou 27% do total. "É muita coisa, não podia passar dos 10% na minha opinião", disse.
"É um absurdo", reagiu a pensionista Tereza Rodrigues do Nascimento, quando a reportagem mostrou que R$ 37,27 de sua compra de R$ 116,72 (31%) correspondiam a impostos. O bancário aposentado Naudinei Bianchini, gostou de saber da obrigatoriedade da divulgação dos tributos. "É importante que nós saibamos quanto dinheiro está indo para o governo. Assim podemos fazer pressão para mudar", declarou. De uma compra de R$ 273,14, o valor estimado de tributos pago por ele era de R$ 65,47.
A assessoria de imprensa do Muffato informou que a rede de supermercados cumpre a lei desde novembro do ano passado. No Musamar, o valor do imposto também já está no cupom. "Você (repórter) conseguiu me deixar revoltada. A gente sabe que paga muito imposto, mas não imaginava que era tanto", disse a vendedora Miriam Barros. Da compra de R$ 180,85 feita no Musamar, ela pagou R$ 45,32 de imposto.
Numa farmácia de manipulação localizada no centro, a auxiliar de lavanderia Maria Vieira pagou R$ 9,15 de imposto na compra de um medicamento de R$ 28, ou seja 32,67% para o leão.
Na loja de eletrônicos Sonkey, o valor do imposto ainda não está na nota. Mas um cartaz avisa os clientes sobre a alíquota média cobrada nos produtos do estabelecimento. Segundo a supervisora contábil, Raquel Sambatti, a empresa não conseguiu ainda "combinar" o sistema próprio com o software do IBPT. "Estamos trocando o nosso sistema. Uma das razões é para cumprir essa lei", afirma. (N.B.)

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