Consumidores deixam a carne de lado
O comércio de Loanda também já está sentindo os efeitos da suspeita de contaminação do gado. Nos supermercados e açougues, a redução na venda de carne é grande e preocupa comerciantes e clientes, que estão resistentes para consumir os produtos.
No supermercado Sakurada, a proprietária Mika Sakurada afirma que o movimento no setor de carnes caiu 35% desde a última sexta-feira. Ela recebe carne de um frigorífico de Nova Londrina, que já informou que o abate seria feito até ontem. ''Se embargarem a carne vamos parar de trabalhar'', afirma.
O supermercado compra 1.800 quilos de carne por semana e ainda tem um pequeno estoque. O açougueiro informou que o comportamento dos clientes mudou. Eles estão apreensivos e perguntam se a carne está contaminada e preferem não comprar ou comprar menos. ''E não adianta falar que a carne é inspecionada. Eles preferem não levar''.
A dona de casa Maria Conceição da Cruz é uma das moradoras que está deixando de comprar carne. No carrinho do supermercado, apenas os produtos necessários e verduras. ''Vou terminar de consumir a carne que tem em casa e depois não vou comprar mais, pelo menos até a situação normalizar. Estou com medo''.
Nos pequenos açougues da cidade, a situação é ainda pior. A queda na venda de carnes e derivados caiu entre 70% e 80%. Num desses pequenos estabelecimentos, o proprietário José Carlos, há mais de 15 anos no ramo, informou que os consumidores estão apreensivos quanto à qualidade do produto. ''Eles querem saber se a carne faz mal e estão comprando apenas frango e salsichas''.
O comerciante compra entre 700 e 800 quilos de carne por semana de um frigorífico de Nova Londrina e está ficando com a mercadoria estocada. ''Se não resolver o problema, terei que fechar. O cliente só vai comprar quando tiver confiança de novo''.
A empresa JL Leilões, de Nova Esperança, também teve que suspender os leilões semanais realizados na região. O responsável pela leiloeira, Gilberto Galbiatti, estava em Loanda retirando as placas de propaganda que anunciavam o leilão desta semana. ''Tivemos que cancelar todos os leilões e ainda não sabemos quando poderemos realizar novamente'', reclamou. Ele calcula que a empresa pode ter um prejuízo de até R$ 30 mil por mês. ''Esperamos que resolvam logo o problema''.(M.O.)





