Ir ao supermercardo, escolher vários produtos e encher o carrinho é um hábito que atualmente está sendo repensado pela maioria das famílias. Gastar com as compras domésticas só mesmo o necessário é a mentalidade da maioria dos consumidores, que vêm o orçamento doméstico cada vez mais reduzido. E, na hora de cortar os gastos, o carrinho usado para as compras pode ser o menor dentro do supermercado.
Para o motorista José Carlos Spirandelli, economia sempre foi palavra-chave. ''Vem de muito tempo. Sempre procuro economizar quando entro num supermercado.'' Em média, ele gasta cerca de R$ 800 por mês em compras. ''Tento sempre enxugar ao máximo os gastos. Para isso, evito os supérfluos.'' A economia só não vale no setor de alimentação. Para o consumidor, o padrão dos alimentos é mantido, independente do preço. ''Prefiro economizar em outro produto, mas na alimentação faço questão de comprar o melhor.''
Empurrando um carrinho pequeno dentro do supermercado, o casal aposentado Laurindo e Adenir Tedardi comenta que nunca fez extravagância nas compras do mês. ''Procuramos sempre comprar o melhor para nossa família, sem gastos exorbitantes. Por isso, não precisamos cortar nada'', afirma Adenir. Para o casal, os gastos variam de acordo com a época e a necessidade. ''Em épocas comemorativas, os gastos são sempre maiores'', explica Laurindo. Apesar disso, o casal procura sempre manter um padrão nas compras.
Os gastos familiares em supermercados recuaram 0,75% de acordo com o índice Abrasmercado, da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras). A pesquisa realizada pela Fundação Abras e Indicator GFK, revelou que, em fevereiro, o valor médio gasto foi de R$ 196,68, contra R$ 198,18 em janeiro.
O índice considera uma cesta de 35 produtos de largo consumo, como alimentos, bebidas, itens de higiene e beleza, além de limpeza doméstica. Em janeiro, o Abrasmercado já havia recuado 0,06%. No acumulado do ano, o Abrasmercado apresenta queda de 0,81%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, usado como inflação oficial) aumentou 1,17%.
Para o presidente da Abras, João Carlos de Oliveira, o Abrasmercado mostra que, ''em tese, os preços estão adequados nos supermercados''. Segundo ele, o descompasso entre a evolução do índice de inflação medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e o recuo do Abrasmercado não significa queda na rentabilidade do setor varejista. ''Os preços mais baixos nos supermercados não significam necessariamente que as empresas do setor estão com margens mais apertadas, até porque os institutos que medem a inflação têm apontado uma queda expressiva nos preços de alimentos.''
Segundo o presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras) - regional de Londrina, Ademar Vedoato, os supermercados sempre fazem muitas promoções. ''As promoções acontecem durante todo o ano, em todos os setores, o que acaba equilibrando as vendas.'' Ele explica também que a oscilação nas compras é muito grande. ''Quando o mês fecha com cinco sábados, o resultado é um. Com quatro sábados, é outro. Além disso, temos também os feriados. Tudo depende do mês.''

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