A escassez de água e a poluição dos rios farão com que a população e a indústria passem a pagar pela água que consomem e pela poluição que provocam. A primeira experiência começará em 2002 para usuários das águas da bacia do Rio Paraíba do Sul, que banha parte dos Estados de São Paulo, Rio e Minas Gerais e atinge uma região onde está 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.‘‘O que se coloca é o interesse nacional’’, disse o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Jerson Kelman. A nova cobrança, segundo ele, poderá induzir a população ao melhor uso das águas no País.
‘‘Sendo a água um recurso escasso, é preciso um sinal econômico que pese no bolso daqueles que a utilizam em demasia e dos que poluem os rios.’’ A estimativa dos técnicos é que o custo da água para o usuário final não fique muito alto. ‘‘A experiência que se tem é de que a água, como recurso natural, vai custar R$ 0,01 por metro cúbico’’, disse Kelman.
Atualmente, explicou, as empresas de saneamento não cobram nada pela água bruta utilizada no País. ‘‘Paga-se pelo serviço de pegar, tratar e levar a água até o consumidor, além da coleta e, em alguns casos, tratamento de esgoto.’’ A tarifa mais cara incidirá sobre a poluição causada pelas empresas que despejam dejetos nos rios e pelas concessionárias de saneamento que não tratam os esgotos. Segundo estimativas feitas pelo Comitê de Bacia do Rio Paraíba do Sul, a arrecadação anual entre seus usuários será de R$ 14 milhões.
Também podem definir o preço das suas águas os Comitês dos Rios Piracicaba (São Paulo e Minas), Muriaé (Minas e Rio) e da Bacia do Rio São Francisco (Minas, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe).

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