Consumidor vai pagar mais caro pelo macarrão
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quinta-feira, 01 de junho de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O preço do macarrão terá reajuste a partir deste mês. A previsão é da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), que informou que um dos motivos do aumento é a quebra de safra do trigo - principal matéria-prima do macarrão. Outro motivo diz respeito à decisão do governo argentino de limitar o embarque do cereal aos países do Mercosul. A Argentina é o principal fornecedor do grão para o Brasil. O repasse do aumento do trigo ao setor de fabricantes de macarrão, segundo estimativa da Abima, deverá ser de 15%, em média.
O diretor da Moinhos de Trigo Arapongas, Roberto Kummel, explicou que a quebra de safra é consequência ''de problemas que vão desde clima até o preço dos insumos, que são muito caros''. ''O produtor está desestimulado'', revela. O diretor explica ainda que a Argentina também sofreu uma quebra de safra, e por isso teve que diminuir a venda. ''Eles têm uma cota de exportação, de mais ou menos 7 milhões de toneladas por ano, que pode diminuir de acordo com as necessidades internas. Essa cota já está no fim'', informou ele.
Dados da Abima revelam que, atualmente, a produção nacional de trigo supre apenas 40% do consumo anual do País, que é de 9,4 milhões de toneladas. O restante é, praticamente, todo importado da Argentina. ''Agora os moinhos vão ter que buscar trigo em outros países, como Estados Unidos, Canadá e até na Europa, que têm preços maiores, 25% maior, em média'', explicou Kummel.
De acordo com a presidente da Abima, Eliane Kay, ''as margens praticadas pela indústria do macarrão são muito estreitas e é impossível para o setor absorver os aumentos de preços da matéria-prima sem repasse''. A presidente acrescentou que já se esperava para a época o aumento do trigo, em função da entressafra do cereal, mas informou que o anúncio do governo argentino, na semana passada, somado à quebra de safra, ''agravou o problema''.
A dona-de-casa Ana Alves da Silva, 38 anos, que procurava uma marca de macarrão na prateleira de um supermercado em Curitiba, disse que o aumento no preço do produto ''não será surpresa'', já que ''hoje em dia tudo aumenta'', reclama. Mas sua pequena família, apenas um filho e seu marido, o vigilante Leonir Cechini, 33 anos, deverão sentir a mudança nos preços. ''Geralmente eu escolho a marca mais barata'', revela a dona-de-casa.
Cechini acrescenta que o preço, no entanto, é pesquisado entre aquelas marcas que oferecem um tipo específico de massa. ''Nós gostamos do macarrão de 'canudinho', mas quem decide é minha mulher'', conta ele. A família não sabe estimar quanto gasta nas compras de macarrão, mas garante que a massa é o prato principal da mesa pelo menos uma vez por semana.
Já a família da dona-de-casa Veronica Pereira, 65 anos, chega a consumir macarrão pelo menos duas vezes por semana. Mas ela conta que o aumento do preço a afeta ''mais ou menos'', porque garante que seu critério de escolha de um produto não é o valor. ''Eu compro sempre o macarrão que tiver mais qualidade'', afirmou.
Os fabricantes de massas alimentícias, segundo dados da Abima, faturam cerca de R$ 3 bilhões e chegam a gerar aproximadamente 25 mil empregos diretos. O Brasil é o terceiro maior produtor de macarrão, atrás apenas da Itália e dos Estados Unidos.


