A pesquisa realizada pela CNI e o Ibope na segunda semana deste mês revela que a maioria dos consumidores pretende manter o nível de compras nos próximos seis meses. A proporção dos que se declararam mais endividados - entre os 2.000 entrevistados - voltou a cair em relação a outubro passado, data da última pesquisa. O coordenador do Departamento Econômico da CNI, José Guilherme Reis, esclareceu, contudo, que este indicador não é conflitante com os dados divulgados na segunda-feira sobre o recorde de inadimplência durante o mês de janeiro, porque a comparação da pesquisa foi feita com outubro, quando os dados coletados pela CNI eram maiores.
Conforme a pesquisa, mais de 52% dos entrevistados pretendem manter inalterado seu nível de compras nos próximos seis meses, enquanto 25% disseram que irão comprar menos e apenas 19% que irão comprar mais. Em outubro, esses percentuais eram respectivamente de 56%, 23% e 20%. Os dados referentes ao grau de endividamento caíram de 23% em outubro para 21% neste mês.
Os entrevistados também pretendem aumentar a compra de bens duráveis. O maior aumento foi para o item geladeira, em função do verão: 21% dos entrevistados declararam intenção de compra nos próximos seis meses, contra 17% na pesquisa de outubro. Em segundo lugar na preferência de compra vêm automóveis e fogões, sendo que o automóve, continua sendo o item mais citado pelos consumidores, seguido de casa ou apartamento.
A pesquisa traz ainda avaliação sobre as compras do final do ano: 40% dos entrevistados compraram menos no Natal de 1997 que no de 96. Para 62% dos entrevistados os preços estavam iguais ou menores do que no Natal de 1996. Os dados confirmam uma intenção manifestada em pesquisas anteriores ao final do ano, ou seja, as compras concentraram-se em bens de baixo valor unitário. As informações coletadas pelo Ibope também trouxeram uma boa novidade para os comerciantes: 39% dos entrevistados preferiram o produto nacional em suas compras de final de ano, enquanto somente 7% optaram pelos importados.
O presidente da CNI, Fernando Bezerra, disse que a pesquisa mostra, de qualquer forma, que o brasileiro está otimista com o País. A maioria dos entrevistados (52%), diz que a vida melhorou após o real, o que representa dois pontos percentuais a mais que em outubro passado.
Os entrevistados pelo Ibope também se manifestaram sobre os três mais graves problemas do País. Desemprego encabeça a lista, com 69% das indicações, seguidos de saúde, com 50%, e drogas, com 36%. No caso do desemprego e das drogas, o aumento foi, respectivamente, de seis e cinco pontos percentuais. O desemprego cresce de importância entre os entrevistados mais jovens, com menor grau de instrução e menor renda, alcançando 76% no extrato de renda com até um salário mínimo.

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