Consumidor usa 13º para pagar dívidas
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2000
Emerson Cervi - De Curitiba e Luciano Augusto - De Londrina 
O pagamento do 13º salário levou muita gente a quitar dívidas este ano. Pelo menos, é o que mostra os dados da filial do Brasil da empresa americana SCI/Equifax, divulgados ontem. De acordo com o estudo da empresa, cresceu o número de exclusão de cheques sem fundos (resgates dos documentos) nos últimos meses de 2000. A exclusão é registrada quando o emissor do cheque devolvido por duas vezes por falta de fundos paga a dívida. No mês de novembro, em todo o País, as exclusões tiveram um aumento de 51,1% para pessoas físicas e 93,2% para empresas, se comparado com o mesmo mês de 1999.
Esse é o primeiro ano desde 95 que o número de exclusões passa de dois terços do total de cheques devolvidos. Entre 95 e 98, as exclusões ficavam abaixo de 50%. Em 99, elas foram de pouco mais de 50%. Entre janeiro e novembro de 2000 ficaram em 69%.
Esses números mostram que as expectativas em relação ao destino dos recursos do 13º salário estavam corretas, diz o assessor econômico da empresa, Walter Belik. A população optou pelo pagamento de dívidas, há uma preocupação grande em limpar o nome antes de fazer novas despesas.
Apesar do crescimento no número de exclusões, os índices mostram que o nível de endividamento da economia continua elevado. Isso deve refletir negativamente nos compromissos assumidos para o início de 2001.
Segundo Belik, o movimento em busca da reabilitação do crédito vem compensando o aumento ocorrido no volume de cheques devolvidos em 2000. Entre janeiro e novembro deste ano houve um crescimento de 13,5% na devolução de cheques de pessoas físicas e jurídicas. Mas foi registrado 57,5% a mais de exclusões.
Outro indicador que aponta para tendência de recuperação de crédito das empresas é a queda no número de concordatas. Os requerimentos de concordatas caíram 38,9% em 2000. Os deferimentos de pedidos tiveram queda de 46,5%. Os requerimentos de falências tiveram declínio de 28,7% enquanto os decretos, títulos protestados de pessoas físicas e jurídicas tiveram queda de 15%.
Cobrança Empresas de cobrança dizem que a procura pela quitação total ou pelo parcelamento do débito aumentou consideravelmente com a entrada do 13º, mas, por outro lado, a inadimplência também.
Em Londrina, a cobradora da Hoepers Recuperadora de Crédito, Lilian Maria dos Santos Rodrigues, aponta que houve grande procura, principalmente a partir de 20 de dezembro. O resultado foi que cerca de 50% dos devedores resgataram seus débitos neste final de ano. Quem pode, optou pelo pagamento à vista ou deu uma boa entrada e parcelou o restante em uma ou duas parcelas pequenas, diz.
Já o gerente comercial de cobrança do Grupo Impacto Cobranças, André Luiz dos Santos, argumenta que, embora muitos inadimplentes quitem seus débitos com o 13º salário, uma parte ainda maior continua devedor e passa a fazer suas compras à vista.
Ele lembra também que o volume maior de devolução de cheques por falta de fundos começam a aparecer em janeiro (cerca de 15% de aumento) e fevereiro (mais 20%).


