Consumidor troca o cheque pelo cartão
As tarifas bancárias e o incentivo ao uso do cartão magnético e ao auto-atendimento estão fazendo com que os clientes dos bancos deixem de lado o talão de cheque para utilizar outras alternativas de pagamento. O balanço anual feito pelo Banco do Brasil, instituição financeira que compensa todos os cheques no País, mostra que houve queda de 6,7% no volume de cheques que circularam pelos Estados em relação a 1996. Os bancos apostam que a queda será progressiva neste ano. Houve redução de 4% na emissão de cheques sem fundos.
Os bancos movimentaram 2,9 trilhões de cheques de janeiro até dezembro, que totalizaram R$ 1,8 trilhão. O percentual de devolução é pequeno em relação ao processo de troca de cheques. Durante o ano de 97, a compensação do Banco do Brasil recursou 60,9 milhões de cheques. O valor foi de R$ 26,4 bilhões. Deste montante 56,5 milhões eram sem fundos.
Segundo o Banco do Brasil, apenas 1,9% dos cheques, que chegam para compensação, são rejeitados ou por falta de fundos ou por algum erro no preenchimento e assinatura. Noventa por cento voltam porque não têm lastro suficiente para serem descontados. Em relação aos valores dos cheques, os devolvidos representam 1,4% sobre o total que circula no País.
Os números paranaenses também apontam queda no uso do cheque e na emissão dos sem fundos. No Paraná, foram trocados 190,5 milhões de cheques em 97, o que dá uma redução de 12,2% em relação a 96. No mesmo período, foram devolvidos 3,2 milhões de unidades. A devolução teve uma queda de 3,4% sobre o ano anterior.
Um dos responsáveis pelo setor de Distribuição e Compensação do Banco do Brasil, Sérgio Luis Fornara, diz que a queda nos números sinaliza uma tendência já esperada pelos bancos. Os clientes dos bancos começaram a entender que é muito mais prático e barato usar o cartão de crédito, explica Fornara. Ele disse que os bancos investiram nos serviços de auto-atendimento, que desobrigam os clientes a andarem com o talão de cheques no bolso.
Mas um dos fatores preponderantes foi a implantação das tarifas bancárias. Um talão de cheques a mais no mês pode custar de R$ 3 até R$ 10 conforme o banco. Há instituições como o Banestado que cobram uma tarifa específica se o cliente emitir um cheque com valor abaixo de R$ 26. Tudo isso faz com que as pessoas se afastem do cheque, afirma Fornara. Para um banco, o custo para processar uma folha de cheque é de R$ 0,12.
A tecnologia bancária, que introduziu o cheque eletrônico, no comércio também é um detalhe que contribuiu para reduzir a emissão de cheque e por consequência o número de cheques sem fundo.





