Consumidor troca cheque por ''dinheiro de plástico''
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sábado, 01 de fevereiro de 2003
Agência Folha 
São Paulo O cheque vem caindo em desuso nos últimos anos. Em 1994, foram compensados 4,14 bilhões de cheques. Em 2002, a previsão é que esse número tenha ficado em 2,42 bilhões, uma queda de 41,5%. Enquanto isso, as transações com cartões de crédito cresceram 368,5% no mesmo período.
Os cartões de débito que fazem débito automático em conta corrente também tiveram forte crescimento. O Visa Electron, um dos mais utilizados, tinha cerca de 8,5 milhões de cartões em circulação em 1998. Até setembro de 2002, o último levantamento disponível, eram 54,3 milhões de cartões, um salto de 536%.
Marcel Solineo, economista da Associação Comercial de São Paulo, no entanto, não endossa a tese de que o cheque vai desaparecer. Segundo ele, a principal causa da diminuição de seu uso foi o fim da inflação galopante, que chegou a 2.477% em 1993, antes do Plano Real.
Isso porque, diz Solineo, quando havia inflação alta era vantajoso usar o cheque, ganhar tempo e pôr o dinheiro em aplicações com rendimentos diários, o chamado mercado ''overnight''. ''Aquela psicose de ganhar até horas no ''overnight'' acabou.''
Ele afirma que ainda existe espaço para que ambos os mercados cresçam: o de cheques e o de cartões. ''Não é preciso que o crescimento de um se dê em detrimento do de outro.'' Para isso, diz, é preciso que haja uma evolução do consumidor, já que muitos ainda não têm conta corrente.
Em 2001, havia no país 63,2 milhões de contas correntes, o que não significa que 78% da população economicamente ativa seja titular de uma conta, pois muitos têm duas ou mais contas.
Pelo lado do lojista, Solineo afirma que o comerciante avalia o que é melhor no seu caso: correr os riscos que o cheque implica (cheque roubado, sem fundos ou clonado) ou arcar com as taxas das administradoras de cartões.


