Consumidor troca cheque por crédito direto
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quarta-feira, 22 de março de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os indicadores do setor financeiro divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) apontaram que os brasileiros querem trocar dívidas com juros mais caros por mais baratos. Prova disso é que, as novas concessões de crédito em janeiro na área de crédito pessoal cresceram 16,37% enquanto as novas concessões no cheque especial caíram 0,86%. Os empréstimos para aposentados e o crédito consignado (com desconto em folha) também têm alavancado o aumento no volume de concessões.
Para entender o porquê do crescimento das concessões no crédito pessoal basta lembrar que a taxa mensal desta modalidade de empréstimo em janeiro foi de 4,47% em janeiro, contra 7,86% no cheque especial. De acordo com dados do Dieese, o crédito pessoal representa hoje 41% do volume de crédito concedido para pessoa física no Brasil e é o que deve sustentar as vendas do comércio em 2006, segundo o supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro. Já o cheque especial corresponde a apenas 7,63% do volume de crédito e o cartão de crédito 7,16%.
Para a pessoa física, as menores taxas praticadas em janeiro foram na aquisição de veículos (2,55%) e no crédito pessoal (4,47%). A maior taxa ficou com o cheque especial (7,86%). Apesar de não fazer parte da pesquisa, o supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, ressaltou que as taxas do cartão de crédito variam de 8% a 15% ao mês. No ano, as taxas podem variar de 35% (aquisição de veículos) a 333% (cartão de crédito).
No volume de crédito, para as pesosas físicas, os maiores aumentos ocorreram no cheque especial (11,39%) e na aquisição de veículos (2,71%). A maior quda ficou com financiamento imobiliário (-4,93%).
O coordenador do Dieese, Adilson Stuzata, lembrou que os juros tiveram queda nos últimos três meses de 2005, mas a tendência se inverteu em janeiro de 2006. ''A inadimplência teve uma pequena correção mas, não justifica o aumento dos juros. Os bancos estão aumentando os juros para aumentar a produtividade'', disse. A inadimplência representa 16% do custo do dinheiro.
Quando o consumidor empresta R$ 100 no cheque especial acaba pagando R$ 247 no ano e no crédito pessoal R$ 168. No crédito pessoal, a taxa de juros mensal passou de 4,38% para 4,47%, na aquisição de veículos passou de 2,52% para 2,55% e no cheque especial de 7,84% para 7,86% entre dezembro de 2005 e janeiro de 2006. Queda foi verificada na taxa mensal de aquisição de outros bens de 4,27% para 3,92%.
Emprego O nível de emprego no setor financeiro paranaense em janeiro de 2006 apresentou aumento de 0,20% com a geração de 49 empregos. No acumulado dos últimos 12 meses (fevereiro de 2005 a janeiro de 2006) o setor registrou a geração de 1.195 empregos com um crescimento de 5,01%. Com os dados de janeiro de 2006, o setor emprega 408.214 bancários no País e 25.031 no Paraná.


