Consumidor teme desemprego e pretende gastar menos
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terça-feira, 05 de abril de 2005
Adriana Chiarini<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A confiança recuou em março pelo segundo mês seguido, mas continua em nível relativamente alto, de acordo com dados da Sondagem de Expectativas do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). As entrevistas de 1.440 chefes de família, realizadas entre 7 e 22 de março, mostram aumento do pessimismo em relação ao mercado de trabalho, redução nas intenções de consumo de bens de alto valor e piora na situação financeira das famílias em relação a fevereiro. No entanto, as respostas ainda estão relativamente otimistas, se comparadas às médias da série histórica da pesquisa.
A parcela dos que consideraram a situação econômica do Brasil pior do que há seis meses subiu de 18,7% em fevereiro para 21,4% em março, enquanto a dos que acham que vai melhorar ficou estável em torno de 18%. A maior parte, de 60,7%, não vê diferença.
Cada vez menos consumidores acreditam que o futuro próximo do País será melhor. Os que dizem que os próximos seis meses serão melhores para o Brasil vêm diminuindo todos os meses desde dezembro, quando eram 46,4% dos pesquisados. Em fevereiro, já tinham se reduzido para 43,5% e daí caíram para 37,6% em março. Já a parcela dos que acham que o futuro será pior, que estava em 10,4% em dezembro, aumentou de 11,2% em fevereiro para 14,2% em março. Os que acham que será igual representam 48,2%.
''Os resultados da sondagem são consistentes com a desaceleração da economia buscada pelo Banco Central'', diz o economista da Fundação, Fernando Holanda. Para ele e para o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloísio Campelo Júnior, o consumidor está sentindo os efeitos das altas sucessivas da taxa de juros Selic desde setembro e se preocupa com as repercussões no mercado de trabalho.
De fevereiro para março, a participação dos que responderam que ficará mais difícil conseguir emprego nos seis meses seguintes aumentou de 47,3% para 49,4%, enquanto a dos que acham que vai ficar mais fácil caiu de 10,3% para 9,2%. ''De três meses para cá, o consumidor tem manifestado espontaneamente na pesquisa dúvidas com relação ao mercado de trabalho'', disse Campelo.
Mais da metade dos entrevistados (53,7%) pretende gastar menos com bens de alto valor e os que pretendem gastar o mesmo caíram de 36,8% em fevereiro para 34,7% em março. A sondagem também mostrou redução na parcela das famílias que declarou estar poupando, que foi de 15,2% em fevereiro e passou para 14,4% em março, enquanto as que estavam se endividando passaram de 26,3% para 26,5%.


