Curitiba - O consumidor também tem a sua parcela de "culpa" no desperdício de alimentos. A má conservação dos produtos e o fato de não conseguir comer um alimento no prazo de validade dariam para alimentar um número bem significativo de pessoas no mundo, segundo o professor de Economia da FAE e da UFPR, Eugenio Stefanelo.
Ele disse que nos restaurantes que vendem os alimentos por quilo as perdas são menores, mas em estabelecimentos como churrascarias, que servem a comida à vontade, há muito mais desperdício. "Tudo que é perda é economicamente inaceitável. Socialmente nem se fala", alertou. Lembrou ainda que há perdas no varejo em geral que inclui supermercados e pequenas quitandas apenas pela manipulação que os consumidores fazem dos alimentos. Ele defende que as pessoas sejam educadas desde criança a não desperdiçarem. "Esse processo de perda não é algo que acabe de uma hora para outra", afirmou.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Sandro Silva acredita que se houvesse uma perda menor na cadeia de produção, o volume de alimentos produzidos seria maior, o que traria redução nos preços em função do aumento da oferta. E isso, segundo ele, refletiria em economia para o consumidor final.
Ainda segundo dados da FAO, a crescente população mundial poderia ser alimentada, se um terço dos alimentos produzidos não fosse desperdiçado. A organização calcula que o desperdício de alimentos responde por emissões de 3,3 gigatoneladas de dióxido de carbono.
O relatório da FAO mostrou ainda que a atividade agrícola na América Latina é a mais ineficiente na comparação com outras regiões do mundo, enquanto os consumidores da Europa e da América do Norte foram apontados como os que mais desperdiçam alimentos. Por outro lado, o levantamento revelou que quase nada é desperdiçado pelos consumidores africanos, mas os problemas crônicos nos processos de manuseio pós colheita neste continente são quatro vezes mais propensos a provocar perdas. (A.B.)

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