São Paulo - O leilão dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília está marcado para o início de fevereiro (a princípio, dia 6), mas os efeitos da privatização só devem ser percebidos pelo consumidor e pelas próprias empresas aéreas no final do ano ou a partir de 2013, segundo consultores ouvidos pela reportagem.
''Por mais que tenha realizado detalhados estudos preliminares, o consórcio vencedor deve passar a maior parte do primeiro ano se inteirando do negócio e colocando tudo na ponta do lápis, para ver se suas estimativas estavam certas, se os planos precisam de ajustes'', diz o consultor e professor de transporte aéreo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Respício Espírito Santo. ''Se for possível já perceber mudanças em 2012, será só no final do ano.''
Na opinião dos analistas do Citibank Stephen Trent e Felipe Mercado, que acompanham o setor aéreo na América Latina, a infraestrutura aeroportuária brasileira não deve sofrer grandes alterações nos próximos cinco anos, principalmente no que diz respeito ao lançamento de novos slots (autorizações de voos) nas rotas de maior demanda. Na visão deles, isso só reforça o duopólio do setor no País - juntas, TAM e Gol detêm cerca de 80% do mercado. ''Como consequência, essa escassez de capacidade acaba limitando também a rentabilidade nas rotas secundárias'', afirmam em relatório recente.
Um dos maiores receios das empresas aéreas com relação à privatização dos aeroportos é que as taxas aeroportuárias subam muito, apesar de o governo ter dito repetidamente que isso não acontecerá. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), em países como México e Inglaterra houve grandes aumentos após a concessão dos aeroportos para o setor privado. Na Inglaterra, segundo a Iata, as taxas subiram 50% nos primeiros cinco anos, entre 2003 e 2008, e devem subir mais 50% até 2013.
O consultor André Castellini, da Bain & Company, acredita, porém, que mesmo que ocorram aumentos nas tarifas, os benefícios da privatização compensarão o custo extra. ''O resultado líquido dessa equação deve ser positivo'', diz.
De acordo com o edital de privatização dos três aeroportos, publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de dezembro, os grupos privados que quiserem disputar o leilão terão de contar com um operador que tenha pelo menos cinco anos de experiência em aeroportos com trânsito de mais de cinco milhões de passageiros por ano. Só operadores estrangeiros atendem a essas exigências. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) ficará com 49% de participação em cada um dos três aeroportos.

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