São Paulo As taxas de juros para as operações de crédito ao consumidor devem subir. Essa é opinião unânime dos analistas do setor depois da decisão do Copom de elevar a taxa Selic. Segundo eles, o reajuste nos juros ao consumidor será inevitável e deve atingir todos os setores do crédito.
''Esse aumento da taxa vai chegar em um momento ruim. Isso porque, após o carnaval e as férias escolares, o crédito tende a crescer. O fato é que, com um aumento nas taxas de juros, o consumidor vai evitar financiamentos'', avalia o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon. Ele espera uma elevação das taxas em todos os segmentos do crédito ao consumidor.
''No financiamento de veículos novos, o impacto será menor por causa do estoque significativo das montadoras'', afirma. O presidente da Acrefi ressalta que o consumidor de baixa renda será o mais prejudicado. ''O consumidor de baixa renda já está sofrendo com o aumento de produtos da cesta básica. A alta dos juros nos financiamentos e empréstimo pessoal vai apertar mais o orçamento'', explica.
Malcon também comenta que o aumento da alíquota do compulsório sobre depósitos à vista vai dificultar a oferta de crédito e será mais um motivo para o aumento imediato nas taxas ao consumidor. ''A elevação na alíquota do compulsório foi significativa e com certeza diminuirá a liquidez do mercado. Isso é mais um motivo para uma alteração imediata das taxas de juros ao consumidor. Amanhã (hoje) já devemos ter novas taxas no mercado'', alerta.
O vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, também afirma ser inevitável um aumento nas taxas de juros ao consumidor. ''Nas linhas de crédito direto ao consumidor e financiamento de veículos, o aumento deve ser imediato. As taxas promocionais para compra de veículos devem ter os aumentos mais significativos'', destaca.